[ Vox populi vox Dei ]

2010-07-22

« ... A INJUSTIÇA... E OUTRAS DIVAGAÇÕES...»

A JUSTIÇA

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Adereços simbólicos
do
DIREITO
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É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não. Julgamos ter visto a frase anterior atribuída a Sócrates. Mas muitas outras pessoas disseram coisas semelhantes ou experimentaram isto nas suas vidas. E é também esta, talvez, a nossa experiência.
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Ao fazermos o mal, fazemos o mal, em primeiro lugar, a nós mesmos. Aquilo que resulta desses actos é uma ferida noutras pessoas - se o mal que cometemos foi directamente contra alguém - é uma outra ferida, que permanece dentro de nós sob várias formas. Esta última é certamente ainda mais dramática do que a primeira. É uma espécie de terrível doença interior.
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Existe o remorso. O desconforto de estarmos a sós connosco mesmos. Existe a angústia. E o desejo impossível de esquecermos. Existe a vontade louca de estarmos entretidos, a fuga à solidão e ao silêncio. A tentativa inútil de encontrarmos uma maneira de justificarmos perante nós mesmos os nossos actos. Existe o álcool... e a droga. E o medo. E, algumas vezes, o suicídio!
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A felicidade deixa de estar presente.
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Só muito raramente a felicidade tem relação com o conforto material, dinheiro, prazer, desejos satisfeitos. Resulta da fidelidade esforçada àquilo que a nossa consciência nos dita. É o fruto sem preço de um comportamento correcto.
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Consciência é o nome que damos à nossa inteligência quando - à maneira de um juiz - julga os nossos actos, realizados ou previstos, de acordo com um critério de bem e mal. Avisa-nos, censura-nos, mostra-se agradada.
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Porque existem o bem e o mal, o certo e o errado. A verdade é que - quer queiramos quer não - chegamos ao mundo com umas regras de funcionamento. E a consciência é uma prova disso. Somos como as máquinas que construímos: se enchermos com gasóleo o depósito de um automóvel que gasta gasolina, teremos problemas; a máquina de lavar não se move se não estiver ligada à corrente eléctrica!
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A felicidade depende dessas regras de comportamento que trazemos gravadas em nós e não podemos alterar: Uma mentira que dissemos feriu-nos. E a calúnia, e um roubo, e um atentado contra a família. E por aí fora.
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Que fazer quando a consciência não se cala, quando já não suportamos mais uma certa podridão que sentimos cá dentro, quando todos os argumentos que desenhámos já não nos dão sossego, quando nos assalta uma amargura infinita e vemos em nós um monstro?
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Chega um momento em que sentimos necessidade de um banho interior que nos limpe, de um fogo que nos purifique. Que fazer? Existirá uma coisa assim, capaz de tocar o intocável? Haverá uma solução que impeça o desespero? Existirá qualquer coisa que torne possível começar realmente uma vida nova? Pode-se voltar a ser criança, ter de novo os olhos limpos?
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Não descobrimos outra coisa senão aquilo a que os cristãos católicos chamam o Sacramento da Confissão. É possível encontrá-lo num canto sombrio de alguma antiga igreja, junto de um padre. Muitas pessoas o têm utilizado, sentindo-se depois puras como crianças e alegres como pássaros. Talvez possamos experimentá-lo. Claro que tem as suas próprias regras - que não são difíceis de aprender - e que teremos de estar dispostos a uma humilhação e a que nos doa. Mas isso é o que se espera de um fogo purificador:
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A Confissão está fora de moda. Tanto, que uma maioria de pessoas até tal ignora!
Tão fora de moda como a felicidade...
O que quer dizer alguma coisa!




= X =




.VÍDEO ALEGADAMENTE ALUSIVO AO TEMA





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«Vista parcial dos " labirintos "
da Lei e da
Justiça»

6 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia
Um tema comum mas visto numa perspectiva diferente.
O bem e o mal, a justiça e e a injustiça..........
Penso que poderão existir muitas coisas relacionadas, mas o fundamental seria que houvesse dentro de cada pessoa o respeito e o amor por ela própria e também pelos outros.
Quando a pessoa se respeita luta pela vida e não se refugia em drogas.
Somos limitados e muitas injustiças são provocadas pela nossa mesquinhez, queremos de fora aquilo que não temos interiormente.
Um pedaço de pão sacia mas nunca acabará com a fome assim como as prisões nunca acabarão com os criminosos.

trepadeira disse...

Meu caro César

A justiça nunca entenderá o povo.Não quer.Está lá longe,mais perto do inferno.
O povo também nunca entenderá a justiça.A justiça não quer.Tudo fará para não poder ser entendida.Pelo povo menos.Não é feita,nem por ele,nem para ele.
Dos adereços,gosto mais das sotainas,gostava que continuassem a usar aqueles caracóis sujos,nojentos e a fingir.Davam um ar de bolofo e soturno.
Também gosto muito daquele ar de circunstância,carrancudo,com o qual tentam enganar os incáutos.
Um abraço,
mário

relogio.de.corda disse...

A justiça existe porque há injustiça e vice-versa (desculpem , é uma conclusão tu cá tu lá).Na verdade, César, as suas divagações dizem mais do que parece (onde é que alguém já me disse isto antes!?...)Fala da consciência...a consciência é o nosso "tribunal interno" é o nosso "juíz", implacável e silencioso, que nos dá o sinal de alerta quando estamos para lá do "raisonable". Felizmente que vamos tendo esta capacidade, de fazer de vez em quando,alguns exames de consciência. Será porventura, esta capacidade que nos distingue dos outros seres vivos. Imagino que esteja numa fase de superior interiorização e desolação. Não há nada, nem ninguém que em alturas destas, nos possa valer de muito. O silêncio ajuda, mas não chega. O TEMPO, esse, encarregar-se-á de lhe aliviar a sua tristeza, estou certa disso. Quanto à confissão, dizia uma tia minha, que é falar com Deus. Nesta perspectiva, talvez não pareça assim tão fora de moda quanto isso. Quanto à felicidade, está onde nós quisermos que esteja; basta encontrá-lá e sobretudo, preservá-la! E chega por hoje...

Marilu disse...

Caro amigo, no meu país Brasil, só conhecemos o lado da injustiça, aqui é o país do "jeitinho", tudo se compra, nada se transforma...Beijocas

Maria Lúcia Marangon disse...

César, gostei muito do texto.
O que eu tenho a dizer é que a nossa verdadeira felicidade está em termos a consciência em paz. Mas, para isso, é preciso sempre pensar antes de agir. Caso contrário, poderemos cometer injustiças ou praticar atos que façam alguém sofrer.
O nosso maior juiz é a nossa própria consciência.
Abraços.

Graça Pereira disse...

"É mais difcil julgarmo-nos a nós próprios do que aos outros" (S. Exupery)... Quem aguenta o colete do remorso? A angústia de se ter magoado?
O exame de consciência é importante mas...não podemos ficar por aí.
Há um caminho para reconquistar de novo a felicidade...o da humildade!!
Belissimo este tema...que daria pano para mangas...
Beijo amigo
Graça