[ Vox populi vox Dei ]

2010-05-24

« ESPIÕES! IDEALISTAS..., ou... VENDIDOS? »

KIM PHILBY - Agente britânico,
espião a favor do K.G.B. - U.R.S.S.

.

Passaporte de Kim Philby
.

O grupo dos quatro britânicos ex- colegas de Faculdade
convertidos ao ideal comunista.
.(identificados no texto)

Coronel Oleg Penkovsky
Oficial dos Serviços Secretos da U.R.S.S.
Espião a favor do Ocidente
[C.I.A.]
.

O Coronel soviético Penkovsky sob prisão, por traição à Pátria.





.

A 25 de Maio de 1951, os serviços de segurança britânicos preparavam-se para acusar Donald Maclean, um alto diplomata, de espionagem a favor dos Russos.
.
O dia 25 era uma sexta-feira e decidiram esperar até segunda-feira seguinte para o prenderem. Nessa noite, Maclean desapareceu, assim como Guy Burgess, outro importante diplomata. Era óbvio que tinham fugido para a Rússia. Pior ainda, alguém altamente colocado nos serviços secretos britânicos os informara. Era essencial encontrar o «terceiro homem».
.
As suspeitas caíram sobre Harold «Kim» Philby, um dos oficiais superiores do MI 6 (serviços secretos). Philby foi interrogado durante diversos meses e, apesar de se não ter provado nada contra ele, foi obrigado a demitir-se.
.
Em 1955, um membro do Parlamento afirmou em sessão parlamentar que Philby foi interrogado por jornalistas de todos os principais jornais britânicos. Mas quer nos julgamentos públicos, quer nos privados, Philby afirmou sempre que estava inocente.
.
Muitos dos seus antigos colegas do MI 6 achavam que Philby fora demasiado castigado. Alguns pensavam que o haviam derrubado por rivalidade.
.
Em 1956 foi enviado para Beirute como jornalista do 'The Observer': e há também quem pense que para trabalhar para o MI 6.
.
Depois de actuar cinco anos em Beirute, Philby desapareceu subitamente. Pouco tempo depois foi anunciado que fugira para a Rússia. Nas suas palavras, regressava «são e salvo». Na realidade, Philby era o «terceiro homem». Há trinta anos que era agente comunista.
.
Num dia de Setembro de 1961, o ano da fuga de Philby, um russo de aparência elegante passeava-se numa avenida de Moscovo e parou junto de um parque infantil onde brincavam algumas crianças.
.
Sorriu e ofereceu a uma delas uma caixa de chocolates. Quando o homem se foi embora, a criança levou a caixa à mãe, que estava sentada num banco ali perto. A mãe era mulher de um diplomata britânico na Embaixada de Moscovo. A caixa continha quatro rolos de filme de documentos secretos dos próprios serviços secretos russos.
.
O homem era o Coronel Oleg Penkovsky, um Oficial do G.R.U. (serviços secretos militares soviéticos).
.
Penkovsky era espião pelo Ocidente. O seu principal contacto era um homem de negócios inglês chamado Greville Wynne, cujo trabalho o levava frequentemente a Moscovo. Através de Wynne, os serviços secretos americanos e britânicos forneceram a Penkovsky dinheiro, uma câmara fotográfica miniatura 'Minox' e um receptor de rádio.
.
Em dezoito meses, Penkovsky conseguiu passar 5.000 fotografias de documentos militares e secretos. Os filmes eram passados por contacto directo, como foi descrito acima, e também por meio de «marcos de correio mortos» [gíria denominativa de pessoas que oficialmente não existem].
.
Em Outubro de 1962, enquanto Penkovsky planeava escapar para o Ocidente definitivamente, foi preso em Moscovo. Wynne foi raptado na Hungria e trazido para a Rússia. Foram julgados e considerados culpados. Penkovsky foi condenado à morte e Wynne a oito anos de prisão, mas Whynne nunca chegou a cumprir a pena. Em 1964 foi trocado pelo espião russo «Gordon Lonsdale».
.
Muito embora o Coronel Penkovsky tenha sido condenado à morte e dado como tendo sido executado, acredita-se que o mantiveram vivo, muito embora preso algures na Rússia. São os desígnios da espionagem de alta escola!
.
Kim Philby gozou 'merecidamente' a sua reforma, oferecida pelo regime soviético como gratidão pelos serviços prestados. Inclusivamente foi homenageado numa emissão de selo de correio.
.
Kim Philby clamou a sua inocência perante os jornalistas em 1955.
.
Philby, Guy Burgess e Maclean ( diplomatas acima indicados e mostrados nas imagens) tinham andado juntos na Universidade de Cambridge, onde se tornaram comunistas.
.
Foram recrutados como espiões comunistas pouco tempo depois, nunca se sabendo por quem.
.
Philby devia manter-se «adormecido» isto é, não deveria actuar até ter alcançado uma posição que pudesse ser de verdadeiro valor.
.
Ao longo da segunda guerra mundial, foi subindo na carreira dos serviços secretos britânicos. Incrivelmente, chegou a chefiar o departamento que tratava dos assuntos dos serviços secretos russos!
.
Será que os serviços secretos britânicos foram mesmo ludibriados? Ou tinham esperança de que ele se traísse, ou a outros, se fosse deixado à solta?
.
Só muito raramente os homens da «polícia secreta» inglesa saem da sombra. Poucas pessoas - além dos seus superiores imediatos - sabem o que eles realmente fazem.
.
Se se metem nalgum sarilho, não podem contar com qualquer auxílio oficial. E, as próprias mulheres estão convencidas de que eles são homens iguais aos outros, apenas com um horário de trabalho um pouco estranho...
.
Na pequena tabacaria da aldeia aquela manhã era uma manhã igual a todas as outras, até o homem alto entrar. Mostrou um cartão à mulher que estava atrás do balcão e disse-lhe para fechar a loja.
.
Depois de o último cliente ter saído, começou a interrogar a proprietária acerca das ideias políticas do filho, de 18 anos. Quando o interrogatório terminou, hora e meia mais tarde, a mulher soluçava.
.
Em alguns países este incidente seria vulgar. Porém, a cena passava-se no Surrey, Inglaterra, em 1967...
.
O homem em questão era um investigador local; contudo, o trabalho que executava naquela ocasião era bastante fora do comum. Na realidade trabalhava directamente para a Divisão Especial... A Divisão Especial - a organização que, em Inglaterra, mais se aproxima de uma verdadeira polícia secreta - só muito raramente sai da sombra.
.
De facto, a meia dúzia de homens «sem rosto» que se encontravam na parte de trás da sala do tribunal de Old Bailey, de Londres, quando o oficial da RAF (Força Aérea) Douglas Britten, foi condenado a 21 anos de prisão por espionagem, apareciam pela primeira vez em público, desde um outro caso similar 8 anos antes.
.
Poucas pessoas, incluindo a polícia ortodoxa, estão a par do verdadeiro papel da Divisão Especial. Na realidade esta é o braço executivo do serviço secreto britânico. É quem efectua as prisões depois dos casos terem sido resolvidos pelos serviços de contra-espionagem.
.
Porém, desde a reorganização total efectuada em 1961, a Divisão Especial tornou-se igualmente numa força de polícia política que mantém sob vigilância as pessoas cujas simpatias esquerdistas possam, em certas circunstâncias, representar um perigo para a segurança nacional.
.
Desde a fundação do Partido Comunista Britânico, em 1920, a Divisão Especial sempre prestou redobrada atenção às actividades, mas as modificações realizadas em Junho de 1961, quando da reorganização, aumentaram eficazmente a sua capacidade no combate das actividades ditas subversivas. A rede foi-se propagando através da província e cada subdivisão regional que, ao princípio dispunha apenas de dois ou três elementos no máximo, passou a mais do dobro, incluindo o inspector, dois sargentos e investigadores.
.
Embora a sua tarefa só muito raramente venha a público, a Divisão Especial mantêm-se em constante actividade. Por cada ameaça ou suspeita de ameaça que chega aos jornais, há dúzias delas que permanecem em segredo.
.
Os serviços são também responsáveis pela protecção dos dignitários que visitam a Grã-Bretanha. Grande parte do trabalho deles é aborrecido e rotineiro: verificar chegadas e partidas nos aeroportos, ou entrevistar forasteiros suspeitos de actividades irregulares.
.
Raramente os membros da Divisão Especial são chamados a intervir na destruição e detenção de redes de espionagem. É o MI 5 que recolhe as provas e depois as entrega à Divisão Especial para realizar as prisões.
.
O facto de estes serviços - na prática uma polícia que ninguém conhece - poderem exercer consideráveis pressões sobre a população, poderia levar a crer que a invejável posição da Inglaterra como país livre no mundo moderno não passa de um mito.
.
Passam a mensagem que acontece exactamente o contrário, pois actuam unicamente contra aqueles que constituem uma ameaça para a segurança e liberdade, um valor inestimável que os cidadãos em geral tanto preservam!
.
Falta esclarecer em que ponto ficará salvaguardada a liberdade de expressão e de pensamento (...)
Apenas como apontamento académico e mera concepção histórica, lembro que a espionagem consiste em obter e passar informações secretas. É uma arte muito antiga que perdurou até aos nossos dias. Os primeiros registos humanos contêm relatos de missões de espionagem.
.
A China antiga, o Egipto e a Roma Imperial de Júlio César transformaram a espionagem numa actividade "requintada" e tornaram os espiões tão velhos como os segredos humanos.
.
Agentes duplos, redes de espiões e passadores de informações falsas são personagens dessa grande "indústria" moderna que é a espionagem.

O nosso amado Rei D. João II - o Príncipe Perfeito -, monarca hábil, justo e 'tolerante'(apunhalou Dom Diogo, Duque de Viseu!), é considerado uma das mais gloriosas figuras da História de Portugal até na dinâmica dos descobrimentos e, não foi alheio a ter usado e aproveitado a espionagem internacional em larga escala.
.
Como este post não é propriamente uma tese de doutoramento sobre a matéria, vou terminar o texto apenas com um pedido de esclarecimento:
.
- será que a Espionagem e os seus Agentes são mesmo um mal necessário?







.
Post "auto-plagiado" de um texto do autor no seu outro blog o MUNHO.
Fotos: seleccionadas na internet

6 comentários:

Palma disse...

Se calhar os espiões até serão um mal necessário. Ao longo da História não há período sem eles..... E até o próprio Adão e Eva foram espiados...rss
Excelente post como sempre ! Abraço
Palma

trepadeira disse...

Olá.

Tudo o que é pardo e lamacento,como as eminências,só serve aos pardos e lamacentos.
Não é uma tese mas parece.
Um abraço,
mário

gin-tonic disse...

Boa noite César Ramos.
Não é pelos espiões que ele por aqui aparece.
Acontece que um dia conversámos sobre a Maria do Rosário Pedreira.
É provável que já saiba mas há dias a autora iniciou um blogue: "Horas Extaroridárias"

http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/

Um abraço

Anónimo disse...

O ideal comunista conquistou muito boa gente. Mas depois do embuiste verificado nos países que todos sabemos tudo ruiu práticamente. Ainda há os empedernidos que acham que só os amanhãs deles é que podem cantar. O resto é lixo. O que faz o fanatismo e a ilusão. Não há sistemas perfeitos é sabido. Orlando

José disse...

Amigo César! É sempre com alguma emoção que leio os seus comentários, você já me conhece só por as palavras que eu escrevo.
Eu comecei a escrever versos para poder dizer aquilo que de outra maneira não conseguiria dizer, e tenho tido a sorte, de as pessoas me ouvirem,nunca pensei ter pessoas
cultas como o César, e outras também muito cultas, virem ler as palavras simples que eu escrevo.
E isso enche me de orgulho,e até fico um bocadinho vaidoso,quando mostro aos meus amigos, os comentários aqui deixados.

Você em poucas palavras disse, o que eu tive de escrever numa pagina inteira

"Outras armas terão de haver, mas isso, será outro episódio menos florido do que aquele dia que aconteceu em Abril!"

Um grande abraço,
José.

Carlos Ribeiro disse...

Olá.

Sobre o blog: visito muitos blogs semanalmente, mas poucos apresentam um conteúdo tão interessante. Estás de parabéns!

Sobre a postagem: aqui no Brasil estou em dúvida se ainda é possível rotular os políticos e partidos em esquerda, direita, ... Tenho a sensação de que a divisão correta é: quem está no poder (ou a favor dele) e quem está na oposição (se é que ainda existe oposição por aqui).

Grande abraço!