[ Vox populi vox Dei ]

2010-04-02

« FESTA PAGÃ... OU NÃO..., É PÁSCOA ! »








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O Natal e a Páscoa, as grandes festividades do calendário cristão, são celebrados com costumes que tiveram a sua origem na superstição e nos ritos pagãos centenas de anos anteriores ao nascimento de Cristo.
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Mesmo a fixação das datas deve mais às práticas pagãs do que ao nascimento e ressurreição de Jesus. Só no século IV o dia 25 de Dezembro foi arbitrariamente fixado como aniversário da Natividade, porque os festivais pagãos de que derivam tantos hábitos cristãos se realizavam por volta dessa data.
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E o Dia de Páscoa, que continua a ser uma festa móvel apesar das numerosas pressões no sentido de se lhe fixar uma data específica, é determinado pelas fases da Lua, que os pagãos há muito tomavam em consideração para estabelecerem as ocasiões apropriadas para venerarem os seus deuses.
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Embora o Cristianismo se tenha disseminado pelo Mundo em relativamente pouco tempo, em comparação com as história das grandes religiões, a relutância dos pagãos em abandonarem os seus deuses e antigas práticas dificultava consideravelmente a tarefa dos Missionários.
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Consequentemente, estes, incapazes de converterem facilmente um mundo baseado em formas de culto totalmente diferentes, procederam do modo mais inteligente. Aceitaram os festivais pagãos na sua essência e, gradualmente, introduziram nestes e nos ritos e costumes a eles ligados as observações da nova fé.
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Só no século IX o dia 25 de Dezembro foi chamado Natal! Até então fora a Festa do Solstício de Inverno, uma combinação do Festival Escandinavo de Yule e das Saturnais Romanas, ambos os quais se celebravam nos finais de Dezembro.
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Voltando à quadra festiva presente - a Páscoa -, o azevinho, uma planta sagrada dos druidas, era suspenso no exterior das casas dos Vikings como um sinal de paz e boas-vindas aos estrangeiros. Mas, para os primeiros cristãos, segundo os quais Cristo fora crucificado numa cruz de madeira de azevinho, o peso da culpa fizera murchar o prestígio da 'planta' que, não sendo utilizada na decoração das igrejas, se manteve, contudo, como o emblema por excelência da época natalícia.
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Tal como o Natal, também a Páscoa foi extraída pelos primeiros cristãos do calendário pagão. Escolheu-se o Festival da Primavera de Eostre, deusa da Aurora, que se celebrava perto do equinócio da Primavera.
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Os "hot cross buns", bolos quentes que muitos milhões de pessoas comem na Sexta-Feira Santa, são uma reminescência desse festival pagão. Por toda a Europa, nessa época, confeccionavam-se pequenos bolos "mágicos" de trigo, marcados com uma cruz. Serão hoje os conhecidos folares, bolos contendo um ovo cozido e decorados, por cima, com uma cruz.
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Os folares que tradicionalmente os padrinhos oferecem aos afilhados de baptismo.
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As origens do ovo da Páscoa remontam ainda mais atrás. Na maioria das civilizações antigas, o ovo era considerado como a origem da vida e da fertilidade ou um símbolo da reencarnação.
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Não surpreende, pois, que tenha sido adoptado, juntamente com o Festival da Primavera, como símbolo da ressurreição de Cristo.
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O costume, vigente em alguns países, de fazer rolar ovos pelos campos, reproduz um hábito antigo comum entre os agricultores que obedecia ao objectivo de garantir colheitas abundantes.
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Na época de 1870, em Washington, as crianças utilizavam os terrenos que rodeiam a Casa Branca neste passatempo, que danificava a relva, pelo que o jogo foi proibido.
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O desapontamento das crianças comoveu a Primeira dama, a Srª Rutheford Hayes - esposa do 19º Presidente dos E.U.A. -, que pôs o relvado do Capitólio à sua disposição [parecendo sem importância, esta atitude fez História]!
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A partir de então, rolar ovos na Casa Branca, na segunda-feira de Páscoa, tornou-se um costume de carácter nacional - um exemplo significativo de um hábito moderno cuja origem remonta aos tempos da história pagã, tempos em que ainda não haveria chocolate.
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Uma gostosa substância que se ocupou dos ovos da Páscoa e não só, para adoçar estas amargas páscoas e pascoelas dos nossos dias.











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[Imagens seleccionadas na Net]


1 comentário:

Austeriana disse...

Sim, o chocolate dos ovos da Páscoa e não só vai adoçando a amarga Páscoa dos dias que correm...

Abraço e votos de uma excelente Páscoa com muito chocolate! :)))