[ Vox populi vox Dei ]

2010-04-28

« CUTTY SARK [velho] ... SEM ÁLCOOL... ! »

Vista do "Cutty Sark" a bombordo
Óleo de Jack Spurling
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Vista do 'clipper' a estibordo
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Óleo de Tam O'Shanter fugindo da «bruxa» Nannie
que ficou com a cauda
do animal na mão
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Nannie (a bruxa - segundo a lenda) decorando a proa do navio
como "carranca"
ou
'figura de proa'
[empunhando a cauda de cavalo]

Cutty Sark visto de 'popa'
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Grande 'plano' da imagem da embarcação
numa estadia
no Tamisa





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Cutty Sark, um dos veleiros (de 1869, tipo clipper) mais conhecidos do mundo, não só mas também devido à conhecida marca de whisky [proprietária britânica do barco], está (ou esteve) desde 1957 numa doca seca, em Greenwich, arredores de Londres a uns metros da linha do meridiano zero, assinalado por um traço pintado a dividir uma pequena casa, a meio, e serve de alojamento a um curioso museu de figuras de proa famosas - conhecidas também por carrancas -, já visitado por cerca de quinze milhões de pessoas.
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Uma das figuras é a do próprio Cutty Sark, conhecida por Nannie, a segurar uma cauda de cavalo, vestindo apenas uma camisa muito curta [cutty sark].
Na proa da embarcação está uma réplica, para preservar a escultura original.
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O Clipper Cutty Sark foi vítima de um grande incêndio no dia (salvo erro) 22 de Maio de 2007. Acidente... ou não..., existe uma teoria de alegado atentado terrorista contra aquele símbolo do poderio naval britânico, uma forma de retaliação das atitudes políticas do tempo de Tony Blair, aquando as suas tomadas de posição, com outras parcerias, e de acordo com a política americana anti-árabe!
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Podia-se visitar todos os seus recantos em três níveis diferentes: convés, para saber como era a vida a bordo, porão superior, onde uma exposição mostrava a história do navio, e porão inferior, com a colecção «Long John Silver» de figuras de proa salvas de muitos veleiros naufragados ou desaparecidos.
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As crianças vibravam com as histórias - e continuam a vibrar -, para além do veleiro em si, e a lenda que inspirou o poema de Robert Burns, donde saíu o nome do clipper: Cutty Sark ou «Camisa curta»:
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- O camponês Tam, escocês que gostava da bebida, regressa a casa montado na sua égua Maggie, numa noite de tempestade em que bebera a valer na companhia de um seu amigo que era sapateiro. No adro da igreja avista, aterrorizado, um grupo de bruxas que dança à luz das labaredas e ao som da música que o próprio Diabo toca. Entre elas, velhas e feias, há uma diferente: jovem e linda de seu nome Nannie, que parece ser mais veloz que as outras. Dirige-se para a Ponte sobre o Doon, porque sabe que as bruxas não podem atravessar água corrente. Na outra margem estará a salvo. Mas, por mais que a pobre égua galope, Nannie está cada vez mais perto. Já na ponte, a bruxa consegue agarrar a cauda de Maggie (a égua) e arrancar-lha.
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Por isso, a Nannie figura de proa do veleiro tem o braço esquerdo esticado com uma cauda na mão!
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A vida destes veleiros velozes chamados clippers foi curta: uns escassos 30 anos. A abertura do Canal do Suez e o barco a vapor acabaram com as corridas entre os clippers na rota do chá: Tratava-se de chegar em primeiro lugar a Inglaterra com a colheita das folhas que os ingleses tanto apreciam.
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Quanto mais fresco era o chá, mais procurado. O Cutty Sark foi construído especificamente para o comércio do chá com a China.
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Seguiu-se a rota da lã, desta vez rumo à Austrália. Numa e noutra rota o seu grande rival foi sempre o navio "Thermopylae", outro veleiro famoso! A própria construção destes barcos ingleses fala-nos do período de transição em que existiram: misturam a madeira dos seus antecessores com o ferro dos seus sucessores. O porão inferior do Cutty Sark é um bom local para verificar a resistência desta conjugação de materiais.
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O Thermopylae acabou os seus dias às mãos dos portugueses, como navio escola. Entrou a barra do Tejo no dia 29 de Maio de 1896 e foi incorporado na Marinha Real com o nome de Pedro Nunes. No dia 13 de Outubro de 1907, foi afundado de propósito, ao largo de Cascais, com um torpedo num festival marítimo, depois de ter sido decidido que tinha de ser abatido ao efectivo.
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O Cutty Sark, que também foi português (já lá vamos), teve melhor sorte na época, pois os ingleses voltaram a interessar-se nele!
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Em termos do veleiro "Pedro Nunes" e à boa maneira desperdiçadora dos portugueses, meteu-se aquilo no fundo numa paródia marítima e, quanto a valores ou património..., talvez considerado 'coisas irrelevantes'!
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O velho «White Hat» Willis, para quem o Cutty Sark foi construído, decidiu vendê-lo em 1895, considerando que o "Clipper" já não era rentável! Grande foi o desgosto do Capitão Woodget, o melhor Comandante que o veleiro teve! Figura muito típica, com o seu farto bigode e um chapéu à Tam O' Shanter (ver a ilustração do 'óleo' em cima exposto) .
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Os compradores foram os membros da família Ferreira - os Ferreirinhas. Embora o nome do barco tenha sido alterado para "Ferreira", consta que a tripulação portuguesa lhe continuou a chamar «o Camisola Curta - Cutty Sark».
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Nos painéis da exposição a bordo, dois com a bandeira portuguesa (se não arderam) a «nossa expressão» aparece assim num título: «El Pequina Camisola»!! Faz lembrar o Santo Condestável que chegou a passar por «Alvarez»! No caso do veleiro, pensa-se que os marinheiros não eram emigrantes do nosso país vizinho! Traduções à Inglesa!
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Enquanto o navio navegou sob pavilhão português, não faltaram azares. O veleiro perdeu por duas vezes o leme, primeiro num furacão ao largo das Índias Ocidentais em1909, e seis anos mais tarde a caminho de Moçâmedes. Pouco tempo depois, com uma carga de 1142 toneladas de carvão e também a caminho de Moçâmedes, perdeu parte dos mastros, sendo rebocado para Capetown para ser reparado. Em tempo de guerra era difícil a substituição dos mastros perdidos.
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Foi portanto reaparelhado com velas de pendão só num dos mastros, e da proa. Perdeu assim algum encanto que, mais tarde, de novo na posse dos ingleses, o Capitão Dowman trataria de devolver o Cutty Sark à sua imagem original.
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Há alguns indicadores actuais de que a estrutura do navio encontra-se intacta e o estrago do fogo não foi maior, porque uma parte considerável do barco se encontrava retirada do mesmo por motivos de restauro, que se pode chamar, providencialmente, de "abençoado" restauro.
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Regressando à História, verdade seja dita, o "Ferreira" - ex-Cutty Sark - foi uma preciosidade que nos veio parar às mãos, no ano supracitado (1895), para o armador Joaquim Antunes Ferreira, que até 1922 não lhe deu descanso nem "reforma".
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Enquanto português ostentou dois nomes: " Ferreira", como já se disse, e "Maria do Amparo"!
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Entretanto, os ingleses ou por saudosismo ou por investimento no seu património histórico, readquiriram o "Maria do Amparo" por um valor muito superior ao que na realidade tinha.
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Na época talvez tenha sido bom, não se sabe se saberiam dar-lhe o valor que tinha, ou conservá-lo como merecia.
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Só de lembrar que o veleiro "Pedro Nunes", o ex-Thermopylae, foi 'alegremente' afundado a tiros de ' artilharia' ... ao largo de Cascais!!
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De qualquer modo, é gratificante saber que o mais famoso dos "clippers" do mundo - o Cutty Sark -, navegou 27 anos ostentando a bandeira portuguesa.









Imagens recolhidas na net





6 comentários:

Luisa disse...

Merecia um brinde, pelos 27 anos em que ostentou a bandeira portuguesa, e por todo o seu percurso.
Felizmente que lhe deram serventia digna. Somos pródigos em desperdiçar o nosso património.


Abraços
Luisa

Graça Pereira disse...

As coisas que eu aprendo aqui...
O navio é ou era lindissimo! Desconhecia a lenda da carranca Nannie e muito menos que o Cutty Sark tinha navegado por esses mares,com a bandeira portuguesa...
Fiquei a pensar que...nós (portugueses) não sabemos persevar nada e nem damos o devido valor ao que nos passa pelas mãos.
Gostei muito desta postagem.
Beijo amigo
Graça

trepadeira disse...

Ali pela linha havia tanta coisa para onde apontar os canhões.Logo foram escolher o navio.
Belo texto.
Um abraço,
mário

Teresa disse...

Parece que agora precisavamos de ter uma mão cheia de veleiros assim para vender e diminuir o nosso défice.
Agora a sério, visitei-o em Greenwich (que é um sítio muito interessante, não tem só uma linha branca!) no ano anterior ao incêndio. Foi uma pena! Era um navio lindíssimo.
Bjs

Palma disse...

Não há dúvida que o César procura sempre temas pouco vulgares, Daí a malta adquirir sempre mais conhecimentos interessantes. Desconhecia realmente essa história e depois nem sabia que a » Maria do Amparo» tinha tanto valor rsss..... Abraço amigo - Palma

Anónimo disse...

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