[ Vox populi vox Dei ]

2010-03-04

« VIVALDI... Músico..., e " Padre Vermelho " »




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.Anunciando a Primavera que se aproxima.
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ANTÓNIO LUCIO VIVALDI nasceu a 4 de Março - hoje é o dia do seu Aniversário Natalício - de 1678, em Veneza. Estudou música com o pai, Giovanni Vivaldi, violinista na Capela Ducal de S. Marcos, o qual para além do talento musical exercia ainda a profissão de barbeiro.
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Quando se fala de Vivaldi vem logo à memória "As Quatro Estações"! Pois Vivaldi foi muito mais do que apenas isso! E as 46 óperas, os 44 motetos, as sinfonias, 2 serenatas, 73 sonatas, 100 átrias, 30 cantatas, música de câmera, música sacra - três oratórios e, uma incomparável alegria de compor que era estimulada pelo aplauso do público em geral e, além fronteiras..., como foi famoso em França, numa época em que este país se fechava bastante nos seus valores nacionais?
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Ordenado sacerdote católico em 1703, embora tenha abandonado o 'hábito' pouco depois por padecer de asma, nesta qualidade sacramental obteve a alcunha de " O Padre Vermelho", devido à cor dos cabelos ruivos.
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Em Portugal, por razões diferentes das colorações capilares, temos um clérigo, o Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alcunhado de " O Bispo Vermelho "! Claro que é devido às suas convicções, práticas e pensamento de homem da esquerda política.
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Stravinsky afirmou em determinada altura que Vivaldi tinha escrito um Concerto e o tinha copiado quatrocentas vezes (...) não foi assim! Vivaldi autoplagiou-se de forma flagrante em diversas ocasiões; Stravinsky - que lhe invejava a mestria de tocar violino -, ampliou a força da expressão em termos numéricos absurdos!
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De notar que no tempo de Vivaldi - nomeadamente nos domínios da ópera italiana - a prática do autoplágio e até do próprio plágio, encontrava-se quase por assim dizer legalizada.
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Estava de certo modo institucionalizada, não só na Itália como noutros países.
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No entanto, há igualmente que não esquecer que Vivaldi - figura muitíssimo contorversa, teoricamente um sacerdote, ainda que nunca tivesse dado missa ao longo da sua vida... - era um músico de geniais faculdades, tanto na qualidade de compositor como na de violinista, ao que se diz, capaz de impressionar quaisquer plateias, mesmo ao nível de Paganini... o que é qualquer coisa de excepcional (...)
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Podia faltar-lhe tempo para escrever obras totalmente novas, até porque tinha uma vida assoberbada como empresário [não dos mais escrupulosos,... longe disso...!], como professor - actividade na qual o seu comportamento já se poderia considerar a todos os níveis impecável -, ou ainda como activista político, pois parece provado que estava totalmente envolvido nas lutas secretas pela unificação da Itália.
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Além disso, embora nunca dissesse missa - como já referi -, trazia sempre consigo um breviário que começava a ler atentamente, parecendo alhear-se de tudo, sempre que uma conversa enveredasse para terrenos que não lhe agradassem. O facto de não dizer missa não influia ler ou não o breviário. Hoje, não sei!... mas em tempo, os padres tinham por obrigação ler o breviário todos os dias! Era uma maneira de despistarem 'maus' pensamentos que os desviassem dos seus votos. Não tinha, nem tem a ver com as missas - para contrariar uma fonte consultada -, mas com o seu comportamento diário. Vivaldi usava assim o breviário como subterfúgio para se descartar de assuntos desinteressantes, como nos dias de hoje se diz estar em reunião, ao telefone, ou o que se apresentar como desculpa 'conveniente'.
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De qualquer modo era um padre - o sacerdócio é um sacramento indelével -, e sem que isso constituísse algo de original ou de particularmente chocante na Veneza de então, tinha também uma vida privada de alguma forma agitada, pois vivia com sete mulheres que não primavam, segundo se sabe, pela castidade dos hábitos (...)
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Mas, se havia algo que não lhe faltava era talento, competência e criatividade, pelo que as centenas de concertos que escreveu - para já não falar nas óperas e nas notabilíssimas obras produzidas no campo da música religiosa - mereceram a admiração de Johann Sebastian Bach, por exemplo, o qual foi deveras influenciado pelo 'Concerto e Aria' de Vivaldi, transcrevendo muitos dos concertos para o instrumento cravo, e outros para orquestra, incluindo o famoso Concerto para Quatro Violinos e Violoncelos, Cordas e Baixo contínuo (harmonia de 4 Vozes).
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Nunca ficou esclarecido o que é que estava a fazer em Viena, onde morreu num quase absoluto anonimato, tudo indicando que essa teria sido uma das muitas viagens secretas que fora levado a fazer em defesa da causa da unificação italiana.
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A verdade, porém, é que, tanto como o seu próprio nome, também a sua obra esteve longos anos
tipo interdita, quiçá obliterada, e o século XX já ia avançado quando os quatro Concertos que constituem as hoje famosas " Quatro Estações" foram pela primeira vez gravados em disco e dados a conhecer ao grande público.
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Terminou a vida em pobreza, tal como muitos outros compositores da sua época. A protecção real e fonte de rendimentos esgotou-se após a morte de Carlos VI.
Faleceu de seguida, a 28 de Julho de 1741, tendo-lhe sido dada sepultura anónima de pobre, muito embora com direito a missa de Requiem, na qual..., consta que, Josef Haydn [ainda com nove anos de idade] terá participado no coro como cantor.
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Com todo o seu infortúnio, a sua música também caíu na obscuridade até aos anos de 19oo. Hoje em dia, a música de Vivaldi jé é praticamente conhecida de todos os apreciadores de música e há que reconhecer a especialíssima qualidade das peças litúrgicas, mas é igualmente indiscutível que o vigor expressivo das "Quatro Estações" não pode deixar ninguém indiferente, por estarmos perante uma das obras-primas da música de sempre, pese embora eu ter acima criticado que se identifique Vivaldi quase só, e apenas, por via desta interpretação.
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Agradeço ao GOOGLE ter apresentado no seu espaço esta efeméride que a tantos agradará evocar; abriu-me uma oportunidade para, com humildade e a devida vénia, recordar e poder apresentar o presente texto, ilustrado com imagens obtidas na Internet, as quais foram bem-vindas na qualidade da sua natureza de património universal - não são de ninguém e pertencem a todos... Tal e qual como, o aniversariante
António Lucio Vivaldi.



4 comentários:

Maga disse...

César, adorei a aula. A maioria da lição foi para mim nova, nem sabia que ele havia sido ordenado...
Obrigada, um abraço

Teresa disse...

Também gosto muito de Vivaldi, como de resto da música barroca em geral.
Ainda bem que pensou nele, este ano só se fala em Chopin.

Ricardo Calmon disse...

Holla ,meu bom e amado escriba César Ramos,terno,simpático e intenso fostes em comentario em campos meus de girassois,merci,sabe irmão querido,nasci em Manaus Amazonas,desde mininu,vôo para Manaus e retorno ao Rio,atualmente dua vezes por semana ,à terrinha vou,e me assusta ,cada vez mais perceber o verde das florestas amazonicas,canaviais e campos de soja se tornar,às vezes em mercados cladestinos aqui no Rio e em Manaus,apreendo de policiais acompanhados,centenas e centenas de aves lindas,coloridas e cantadoras,às vezes seguro sou,para não espancar meliantes que chegam a vazar os olhos dos pássaros,para que eles cantem mais!snif!Minha luta árdua é mais me sinto cada dia mais ,melhor pessoa,simplesmente!
Teu post Antonio Lucio Vivaldi tributando,é divino!amei!

te abraço!
Viva la Vida!

Sueli disse...

César, vim agradecer sua visita, com um pouco de atraso, confesso, mas acontece que tenho dois blogs e o qeu mantenho mais atualizado é justamente o ouro (Fenixando). Somente hoje vi seu comentário no Reminiscências. Já sou sua fã. Seu blog é cultura pura! Voltarei sempre e ficarei muito feliz em receber sua visita no meu outro blog também. Um grande abraço do lado de cá do oceano!