[ Vox populi vox Dei ]

2010-03-01

DIA da RENOVAÇÃO do FOGO SAGRADO ROMANO

VESTAL

Vesta, a Lareira


Forum Romanum - Templo de Vesta


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Deusa romana de cunho muito arcaico, Vesta era a própria lareira em sentido estritamente religioso, ou mais precisamente, era a personificação da lareira, colocada no centro do altar; depois, sucessivamente, da lareira localizada no meio da habitação e da lareira da cidade de Roma.
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Protectora do fogo sagrado, sendo ela a personificação do próprio fogo, pertencia ao grupo dos doze grandes deuses. O seu culto era directamente orientado pelo Pontifex Maximus, o Sumo Pontífice, assistido das seis ou dez Vestais, sobre as quais tinha autoridade total.
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Vesta terá sido introduzida na Itália por Enéias, que a levou para Lavínio, de onde Ascânio a transferiu para Alba e dali passou a Roma, onde Numa Pompílio lhe ergueu um templo, em cujo interior não havia estátua alguma da deusa, mas tão-somente o fogo perene e inextinguível que a representava.
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Crê-se também que foi Rómulo o introdutor em Roma do culto da deusa, opinião que levanta certas dificuldades. É que o templo da filha de Saturno, de forma redonda, como eram as mais antigas choupanas do Lácio, erguia-se fora da cidade palatina, no Fórum, o que significa uma parte exterior da Urbs atribuída ao filho de Marte.
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De qualquer maneira, o carácter arcaico da divindade está atestado pelo animal sagrado que lhe era dedicado, o jumento, cuja origem é mediterrânica, ao contrário do cavalo, de origem indo-europeia.
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Na grande festa das Vestalias, os jumentos eram coroados de flores e não trabalhavam. Durante estas festividades, que duravam de 7 a 15 de Junho, as matronas romanas descalças e veladas seguiam em peregrinação para levar o pão por elas cozido como oferenda aos templos. No final dos festejos, as Vestais fechavam o templo, lavavam-no e depois abriam-no com um banquete oferecido às divindades, contando apenas com a presença de mulheres.
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Uma vez por ano, no primeiro dia de Março, o fogo sagrado era apagado e novamente aceso ritualisticamente com a fricção de dois paus, revelando o simbolismo oculto de Vesta como deusa geradora e sustentadora das mulheres e das famílias.
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Com o passar do tempo, as vestais tornaram-se bodes expiatórios e foram usadas para fins políticos, sendo-lhes atribuídas as causas dos desastres naturais, ou as derrotas nas batalhas por, alegada e supostamente, terem infrigido os seus deveres, e quebrado o voto de castidade.
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Antes de caírem em desgraça as Vestais eram escolhidas entre as filhas de famílias nobres e deviam servir durante trinta anos, dos quais dez eram de aprendizagem, outros dez de sacerdócio e, os últimos para ensinar as novas Vestais.
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Deviam manter a castidade, estando submetidas a regras severas, e, em caso de infracção ao casto voto, eram enterradas vivas.
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Vesta era uma força sagrada, estabilizadora e centralizadora, protectora das famílias e das cidades. As sacerdotisas - as Vestais - tinham um enorme prestígio e, como recompensa, recebiam privilégios, tais como convites para jantares com autoridades, os melhores lugares nos teatros e arenas e, passeios de carruagem. Não eram submetidas à autoridade paterna, podendo possuir bens e, depois dos trinta anos de serviço já podiam casar.
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Por serem consideradas imbuídas de poderes especiais, eram honradas por todos e podiam perdoar condenados no caso de passarem junto deles. A sua pureza era considerada a garantia da segurança e salvação de Roma, e por isso eram vigiadas severamente pelo Sumo Pontífice.
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O fogo sagrado de Vesta era velado no Forum Romanum por seis Vestais, num templo circular que reproduzia a Terra, cujo perímetro estava estritamente interdito aos homens, após o anoitecer.
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Vesta e as suas Vestais traduzem o sacrifício permanente, através do qual uma perpétua inocência serve de elemento substitutivo, ou até de escudo contra as eternas falhas dos homens.
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Tendo consultado o "Borda d' Água", o autor do Alfobre 'descobriu' o dia 1 de Março indicado como dia de S. Rosendo, Feriado Municipal da cidade de Tomar, e a interessante referência deste dia à «Renovação anual do fogo sagrado de Roma, pelas Vestais».
Assim, baseado nos conhecimentos académicos pessoais, e adaptando alguma informação da bibliografia que possui, editada pela Sociedade Histórica de Portugal, redigiu este texto que ilustrou com imagens seleccionadas na internet, e oferece-o à crítica dos leitores deste blogue.

2 comentários:

César Ramos disse...

O silêncio de comentários a esta matéria, faz-me crêr duas coisas:

- Ou as pessoas já não vão em mitologias, ou então, melhor, deixaram mesmo de fumar e já não precisam de lume!

Ainda bem.

C.R.

Anónimo disse...

Viva o mito! Que é o nada que é trudo!!! Não precisas de fumo e de fumar, mas se calhar usas carros como as crianças... lol e vês a radiação da tv e dos telemóveis. gastas mais petróleo dos U.S.A. do que eu... mais da Arábia... dás despesa em combustível fóssil ao estado. Dás despesa com o carro importado que não consegues fazer nacional. Não gostas de mitos porque não tens ideias, és ignorante. Nasceste morto e assim vives. Não sentes, apenas respiras. Deves pensar que a vida é só fazer débitos, esqueces-te de que tens que dar crédito ao entusiasmo, estás com um ar muito triste, muito mesmo. Vê-se que a vida não te corre bem. Vê lá se arranjas um mito, se és o herói da tua própria vida, com as tuas próprias pernas, pés, a andarem quilómetros por noite. Larga agora os transportes a fóssil nojento, gratuitamente. Digo-te isto com amizade, mesmo não te conhecendo, como digo a qualquer português, e sobretudo alfacinhas, que hoje só sabem viver no luxo, mas são todos muito pobrezinhos. Católicos não praticantes da porra, sem valores, sem amor, sem carinho, sem cumplicidade, sem entusiasmo, sem confiança na justiça, na verdade, no mito, na natureza, no culto da fertilidade, da beleza, da pureza, que é o que falta a muitos portugueses que só pensam em fodas, gajas, álcool,roupas e óculos de marca, artigos de luxo, como as crianças para se afirmarem no sujo, a quererem ser sempre as primeiras a comerem as bolachas, mas não comem a sopa, têm que ser obrigadas, porque são estupores, que não param quietos, ordinários, precisam +e de levar na tromba com mitos, com histórias antes de adormecer para serem mais humanas(os). porque esta vida não é só fazer lucro no comércio. Também há que trabalhar, na indústria, nas fábricas, nos campos, na pesca, na pecuária, a vida não é só engate de óculos escuros. Vivam as Vestais e todo o seu simbolismo de Pureza, é o que falta a muito boa gente hoje. É pureza de espírito, humildade, inteligência, para limpar de vez com esta cidade, sociedade, cultura latina e católica conservadora de corruptos, de hipócritas, de pseudo-machos latinos.
Abraço.
Hugo Calado