[ Vox populi vox Dei ]

2010-03-14

CHE COMANDANTE, COM DIREITOS DE AUTOR !!

Alberto "Korda" Gutierrez - fotógrafo do 'cliché' mais conhecido do «CHE»

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[ O DINHEIRO... SEMPRE O VIL... DINHEIRO]
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Diana Díaz - filha de "Korda"
quer dinheiro pelos direitos de imagem
de
"El Comandante"


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Quanto valerá para Diana, este tema em papel decorativo de parede?
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Se Diana Díaz conseguir o que pretende, quem usou a famosa fotografia a preto e branco de Ernesto "Che" Guevara captada pela objectiva de Alberto "Korda" Gutierrez - pai de Diana - vai ter de pagar direitos de autor.
Díaz trava várias batalhas jurídicas por usos abusivos da imagem. Cuba só reconheceu direitos de autor depois da queda da U.R.S.S., altura em que aderiu à Organização Mundial do Comércio. O próprio "Korda" só no ano de 2001 ganhou direitos sobre a imagem, depois de ganhar um processo à marca 'Smirnoff' por uso ilegal da fotografia.
Estamos a lembrar-nos do que poderá acontecer a Diego Maradona por exibir há anos uma tatuagem - num ombro - igual á imagem que se encontra em situação litigante!
Mas para pagar os advogados, Diana já vendeu algumas licenças de uso de imagem de Guevara, por exemplo, boinas, T-shirts e bonés desportivos.
Esta batalha estende-se a desentendimentos familiares, por ser ela quem está a controlar este "affaire" de negócios de direitos de autor, havendo desavenças com meios-irmãos.
Por causa desta situação de propriedade de imagens, quem fica mal na fotografia é o Che Guevara, e a acção que desenvolveu como herói desprendido de bens materiais, incluindo a mística que deixou no mundo.
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ENTREVISTA ENCONTRADA NUMA PESQUISA NA NET
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.Diana Díaz é a mais velha dos três filhos de Korda e é quem assume o papel de herdeira do espólio do fotógrafo cubano.
À direita de Diana Díaz encontra-se o mais reduzido núcleo da exposição. São apenas algumas fotos resultantes da última etapa do percurso artístico de Alberto Korda, o grande fotógrafo da Cuba revolucionária, dedicada ao fundo do mar.
No sentido oposto, está a outra das paixões que a sua objectiva jamais se cansaria de captar – as mulheres.
Mas os núcleos mais fortes da exposição localizam-se entre os retratos dos líderes revolucionários e o povo de Cuba, registos únicos de uma revolução que ousou captar com a poesia e a sensibilidade dos grandes artistas.
Como foi, enquanto filha do fotógrafo que mais acompanhou Fidel Castro naqueles anos fulgurantes da Revolução Cubana (1959/1968), ser filha de Alberto Korda?
Era uma criança igual às outras. O meu pai era o fotógrafo acompanhante de Fidel, um dos seus amigos íntimos, mas independentemente disso eu era uma criança normal. Como é evidente, fascinava-me por certos aspectos da vida de meu pai, sobretudo pelas histórias das viagens. Adorava quando ele chegava de uma longa viagem que havia feito com Fidel pelo estrangeiro e me contava como eram certos locais, os costumes desses povos distantes e até mesmo as aventuras que vivera. Quanto a tudo o resto, sentia-me perfeitamente normal, como qualquer outra pessoa.
Nalgum momento da vida do seu pai sentiu que aquela fotografia do “Che” (Guerrillero Heroico) se tornara demasiado pesada, demasiadamente marcante no imaginário popular que, de certo modo, tenha prejudicado o reconhecimento da obra gráfica de Korda?
O meu pai era um homem muito modesto. Genuinamente modesto. Para ele, aquela fotografia era só mais uma entre tantas que fez naquele período da Revolução Cubana. Ele nunca lhe deu muita importância, até porque aquela foto fora absolutamente casual. Como é evidente, toda a gente lhe falava dessa fotografia e, de certo modo, isso bastava-lhe. Se alguma vez ele a sentiu como um peso, penso que não, até porque ele foi o fotógrafo de Fidel e não tanto o de Che.
Como é que Korda, o fotógrafo que tinha acesso total ao líder da Revolução deixa de o ser, em 1968?
Foi uma escolha, uma opção pessoal que tomou. Em 1968, a situação exigiu que se definissem percursos, e o meu pai seguiu o dele. Na minha perspectiva, penso que dado o ritmo frenético daquele período revolucionário surgiram diferenças no rumo que a Revolução tomara, se comparado com o que foi inicialmente. O país institucionalizou-se, e aqueles que estavam ao lado de Fidel também. Exige-se uma imensa confiança institucional e o meu pai era um amigo de Fidel, logo, quando foi preciso escolher entre a institucionalização - o que significaria tornar-se um militar - ou a fotografia, o meu pai optou por continuar a ser um artista e, assim, continuar livre.
Não houve, portanto, nenhuma relação com o facto de os Estúdios Korda terem sido confiscados pelo Estado cubano e ter desaparecido grande parte do seu espólio?
Não. Foi, como lhe disse, uma opção livre, uma escolha. O meu pai teve três grandes paixões na sua vida: as mulheres, a Revolução – e, por inerência, Fidel – e o fundo do mar. Por isso, e porque era tempo de continuar o seu caminho, dedicou-se à paixão por cumprir enquanto artista: o fundo do mar. Criou o departamento subaquático da Academia das Ciências de Cuba onde ficou mais de uma década a fazer fotografia sub-aquática.
A relação de amizade entre o seu pai e Fidel Castro manteve-se?
Foram sempre amigos. E, quando o meu pai faleceu, Fidel esteve no funeral. Aproveito para lhe contar uma história que mostra bem a relação que tinham: um dia, em Havana, roubam o carro do meu pai; não sei muito bem como, Fidel soube-o e no dia seguinte, pela manhã, lá estava um carro novo.
Ainda hoje, quando estou em Havana, é o carro que uso.
(...) !!!
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- Imagens selecionadas na Internet.
- A 1ª parte foi adaptada da Revista Sábado,
sob o título: "Cuba - Che vai sair caro".
- Após tomada a devida nota da Entrevista, recolhida em
pesquisa na Net, " perdeu-se" a identificação da sua origem.

9 comentários:

Luisa Moreira disse...

Em Janeiro, passado, vi uma exposição muito interessante, deste grande fotógrafo, na Casa da América Latina. Verifica-se um corte abrupto, como um hiato de tempo, nas fotos de Korda. Falta-lhe a época de censura, criou mas foi apreendida a obra, logo, não a podemos admirar.

Abraços
Luisa

César Ramos disse...

Sem incorrer em erro, nem possibilitaram admirar a obra, nem a filha poderá sacar mais direitos de autor!

Correcto,... ou estarei agoniado com o porco mealheiro que a senhorita quer encher?

De facto, lá por Cuba nem tudo foi, é, tão 'puro', como os famosos "puros" - charutos - de fumar.

El Comandante foi discreto e deixou de fumar daquilo..., para depois..., não se sabe bem como..., até deixar de viver!

Hélas!...

Abraços
César

momo disse...

que interesante lo que cuentas, y como lo cuentas...

Maga disse...

Como sempre vim á aula e a lição foi proveitosa e empolgante...
E acho que o César, como eu, estará agoniado com o porco mealheiro... estas coisas, ás vezes dão asco!
Um abraço

Guilherme Diogo Rodrigues disse...

Olá,
Sou um grande fã do Che, é realmente uma pena que se trave essa briga com a imagem desse grande herói!!

Abraço

gin-tonic disse...

Caro César Ramos,
Por mais voltas que dêem,o "Che" não fica mal em nemhuma fotografia. Até há quem pense que o matou...
Quanto ao resto, enquanto ia lendo o post, chegou-lhe à lembrança uma velha canção do Paco Ibanez num disco, "A Poesia Espanhola de Hoje e de Sempre", em que canta "Don Dinero", um poema de Francisco de Quevedo.
Inventaram-no para dar cabo de tudo: "Don Dinero"...

Maga disse...

César, que é feito de si? Desapareceu? Ficou com receio de ser atacado outra vez? Sossegue os amigos...

Anónimo disse...

Bom post e naturalmente o prazer de ver que o Alfobre afinal continua vivo mesmo contra os ataques de alguns parolos que se gostam de divertir ????? introduzindo-se na casa dos outros.Possívelmente deve ser por causa da moda lançada por alguns jornalistas que se entretém a espreitar pelos buracos da fechadura. Uma boa semana. Palma

Graça Pereira disse...

Fui vindo por aí fora e gostei do que li e...vou ficar, se me dás licença.
Porque é que os descendentes dos grandes vultos guerreiam tanto pelo vil dinheiro? Deviam criar uma Associação com o nome do seu progenitor e divulgar a sua obra e o seu carinho de filhos...Não era lindo? Utópico? Talvez nem tanto...
Beijo
Graça