[ Vox populi vox Dei ]

2010-02-03

« RECORDANDO CHARLOT »





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Sir Charles Spencer Chaplin, mais conhecido por Charlie Chaplin, Actor e Cineasta inglês (1889-1977), depois de interpretar filmes curtos, cómicos, evoluiu para a mistura do riso e da emoção, que é a base da arte de Chaplin.

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Não foi apenas "grande", foi gigantesco. Em 1915, foi êxito num mundo dilacerado pela guerra mundial, trazendo o dom da comédia que bastante ajudou à tensão nervosa do espírito dos povos angustiados.

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Nas suas obras introduziu as suas preocupações sociais - Chaplin foi um idealista - fazendo da miséria um quadro impressionante e deixando adivinhar entre piruetas, um profundo amor pela Humanidade.

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Chaplin é considerado o maior e o mais autêntico génio do Cinematógrafo. Foi maior do que qualquer um. É duvidoso que alguém tenha dado mais entretenimento, prazer e conforto anímico para tantos seres humanos, quando eles mais precisavam.

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O seu principal e mais conhecido personagem é conhecido como CHARLOT (...) «Carlitos» no Brasil.




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Lembrando Charlot




.Charlot, Charlot

Eras tão bom

Tinhas o amor, o carinho, a ternura

Charlot, Charlot

Como era bela

A tua figura.

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Charlot, Charlot

Foste o actor da ternura

E esperanças

Charlot, Charlot

Foste a cultura

Ensinada a crianças.

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Charlot, Charlot

Quem sou eu

Para te imitar!

Charlot, Charlot

Apenas só

Quis teu nome lembrar

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Charlot, Charlot

O teu andar de criança inocente

Charlot, Charlot

Teu rosto e olhar

De quem sabe ser gente.

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Charlot, Charlot

Repudiaste os autores dos danos

Charlot, Charlot

E assim passaste

Aos valores mais humanos.

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Charlot, Charlot

Quem sou eu

Para te imitar!

Charlot, Charlot

Apenas só quis

Teu nome lembrar.

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Charlot, Charlot

Tu que tiveste a imagem

Da pobreza

Charlot, Charlot

E com coragem

Ganhaste riqueza.

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Charlot, Charlot

Tu que sofreste

Os efeitos da guerra

Charlot, Charlot

E que cresceste

Nos asilos da miséria.

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Charlot, Charlot

Quem sou eu

Para te imitar!

Charlot, Charlot

Apenas só quis

Teu nome lembrar.





.In:

Século Ilustrado, datado de 29 de Novembro de 1947,

(...) lemos uma notícia em que Charlie Chaplin foi acusado de ser comunista pelos Estados Unidos da América, o tal paraíso da liberdade e da democracia.

Reza assim: « A propósito do seu último filme "Monsieur Verdoux"[1946], Charlie Chaplin foi acusado de comunista por alguns jornais americanos.

Em face da campanha movida contra ele, a Comissão de Actividades Anti-Americanas da Câmara dos Representantes convidou o artista a definir o seu ponto de vista político.

Satisfazendo o pedido, o famoso comediante dirigiu-lhe a seguinte carta:

- "A imprensa tem dito que desejam perguntar-me se sou comunista. A fim de que fiquem completamente esclarecidos a respeito das minhas ideias políticas, sugiro que assistam com atenção, ao meu último filme «Monsieur Verdoux». É contra a guerra e contra o massacre inútil da nossa juventude.

Enquanto os senhores estiverem preparando a acusação eu lhes darei tempo e facilitarei o trabalho. Não sou comunista. Sou um amante da paz!".

Muito antes da acusação que agora lhe dirigem, Charlie Chaplin já tinha declarado numa entrevista concedida a um jornalista que «não tinha opiniões políticas de nenhuma classe, não pertencia a nenhum partido e nunca votara».

«A crítica não me preocupa. Deixa-me e deixar-me-á sempre indiferente. O dinheiro que as minhas películas produzem vem, na sua maior parte do estrangeiro. Com os impostos que pago creio ser um dos pensionistas mais lucrativos do Tio Sam.

Enquanto a ser comunista, declaro que o não sou!»

O filme «Monsieur Verdoux» vai ser dobrado em português, francês, espanhol, italiano e alemão.»

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[Pois! Como nota deste Blogue - Alfobre -, recordamos que Galileo Galilei também teve de, perante a Santa Inquisição, retratar-se negando que a Terra anda à volta do Sol.]


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O Século Ilustrado, datado de 21 de Março de 1953, dá com título de caixa alta: «Charlot não volta à América».

«O "Sunday Dispatch" crê saber que Chaplin liquidou a maior parte dos seus bens nos Estados Unidos, dispôs-se a abandonar Londres, e a fixar residência na Suíça».

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Charlie Chaplin - o Humanista de sempre -, faleceu no dia 25 de Dezembro de 1977 em Corsier-sur-Vevey, Suíça, a Terra anda à volta do Sol contrariando o "Santo Ofício", e os Estados Unidos da América continuam a ser um país exportador de democracia.








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16 comentários:

Guto disse...

Charlie Chaplin é um daqueles "Artista" o qual podemos colocar um robusto A maiúsculo para lhe designar. Sua mistura de comédia e drama ao mesmo tempo, é insuprável. Eu vejo nele o tipo gênio que foi descrito por Schoppenhauer como aquele indivíduo que ao olhar os fatos da humanidade vê alí mais do quê fatos. Mas do que isso ele vê dentro daquele espetáculo todo o sofrimento e o brilho que sempre contrastam os seres humanos nas mais diversas épocas da história. E fez isso muito bem. Lembro-me quando da vez que assisti pela primeira vez "Tempos Modernos", fui uma ótima surpresa, saber que numa época tão limitada tecnologicamente a inventividade de Charlie foi capaz de produzir uma obra tão fantástica, tão marcante e significativa.

Magnífico!!!!

momo disse...

Ahhh que bonitoa entrada Cesar, me gusta mucho ,pero hoy venia a darte un abrazo hasta mi vuelta.

Luisa Moreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José disse...

Olá César,
Foi com o Charlie Chaplin, que eu aprendi a rir, marcou a minha infância pela positiva pela sua ternura, e pelo o ser humano que era, para mim foi é e será sempre
o melhor artista de todos os tempos.
Obrigado pela partilha deste
Um abraço,
José.

gin-tonic disse...

Também gosta de recordar "Charlot" e por isso osta de dizer que quem morreu naquele Natal de 1972 foi Charlie Chaplin e não o homenzinho de bengala e chapéu de coco que conheceu, como “Charlot”, nas cadeiras de pau duro das matinées de domingo do “Cine.Oriente”.
De Chaplin já se tinha despedido em Janeiro de 1972 quando em Londres disse que se preocupava mais com dinheiro do que com o riso. “Pensei no meu trabalho tendo em conta o que me entusiasmaria, faria rir o meu patrão e me tornaria rico. Gosto de dinheiro. Porque não”
E deu o caso por encerrado, quando em Abril de 1972, vinte anos depois da “caça às bruxas”, o viu regressar à América para uma série de homenagens. Disse então: “Obrigado América!”
O Eduardo Valente da Fonseca tem um poema a que chamou “O Charlot” é que sim” e “que termina com um “é por isso que nunca sonho com o Rockfeller”

Sonia Schmorantz disse...

Hoje vim convidar você a conhecer o Ilha da Magia, blogger onde arrisco alguns ensaios poéticos
http://schmorantz.wordpress.com/
o link está no leia mais no meu tradicional espaço.
abraço

Fábio disse...

Oi estou passeando pelas paginas aqui e gostaria de aproveitar para convidar conhecer meu trabalho através do blog Ecos em www.ecosdotelecoteco.blogspot.com Grande abraço e sucesso ai para voce.. T +

César Ramos disse...

Caro Gin-tonic,

Não sei para onde lhe enviar este 'feed back'; assim, fica aqui mesmo, na esperança de me ler!

Para começar, reproduzo o poema que lembrou de: Eduardo Valente de Oliveira:

«O CHARLOT É QUE SIM»

Creio que uma das muitas pessoas que têm razão no mundo
é Charlot.
É certo que passa fome, tem o seu frio no Inverno
e as botas todas gastas,
mas ri-se de muita coisa,
despreza admiràvelmente a ordem
e vai aguentando as cacetadas e prisões
e outras violências.
No entanto,
o multimilionário Rockfeller é que passa por inteligente
e empreendedor e grande,
e honesto e moralista,
e benfeitor também quando é preciso.
É evidente que o Rockfeller até trabalha aos Domingos,
e que isso vai ficar na história dos grandes feitos de hoje,
mas o que mais me alegre são as vagabundagens
do Charlot,
e o orgulho dele contra as moedas acumuladas,
e aquele chuto na ponta do cigarro ao ir para a prisão,
e esse infinito voltar de costas às fardas,
e o comprar comovidamente flores à rapariga cega,
e dar-lhe a mão depois
e entristecer dos pobres serem tristes.
... É por isso que nunca sonho com o Rockfeller.

--- + ---

Ainda há pouco tempo, eu e o Gin nos 'cumprimentámos' na Blogosfera, e tomei nota do seu registo de que Charlie escusava muito bem de ter ido ao "beija mão"...!

Completamente de acordo!

Voltámos ao assunto do, sem "nexessidade",... 'Obrigado Yankees'!

Também não engulo... mas, com a idade que já tinha em 1972, dou o benefício da dúvida de que adquirira um estatuto de dizer o que lhe apetecesse!... porém, poderia ter-lhe apetecido um prato mais forte!

Mas nem levo o caso para qualquer exercício tipo 'filho pródigo'!

Penso que a arteriosclerose poderá ter uma explicação para o assunto, independentemente da (involuntária) demência senil!

Como não lhe terão perdoado ter dado com os pés na América, alguém lhe terá dado a volta, quando ele já estava dando uma 'nova volta' na vida!(...)

Vejamos:

Aos 57 anos mandou-os bugiar.
Aos 83 anos 'obrigadou' aos EUA.
Aos 88 anos 'bateu a bota'!

Para ser justo, teria que estar informado porquê... o "Thank´s America"! Vou investigar; tenho muita documentação antiga que dará os seus indicadores.

Cómico, mas nem tanto...!
Há que perceber certas coisas.

Um abraço Gin-tonic.
Obrigado,
E até sempre
César Ramos

César Ramos disse...

Sonia Schmorantz,

Obrigado pelo convite para conhecer a 'Ilha da Magia'. É um blog lindo, como encantandora é a sua talentosa inspiração!

Parabéns.

Já a conhecia, pois sou seguidor do seu Blog: UM VENTO NA ILHA, com conteúdos de sonho.

Recomendo aos leitores do Alfobre; é só procurar [ordem alfabética] na lista dos blogues que sigo...

Cumprimentos, e agradecido pela sua visita!
Até sempre...

César Ramos

César Ramos disse...

Guto,

Obrigado pelo seu completo comentário.

Se os comentários muitas vezes servem para elogiar, ou não..., este seu, é dos que ajudam a enriquecer o que o texto não disse tão bem.

É assim, neste trabalho de equipa, que se constroem melhor certas ideias, e se acertam pontos de vista onde encontramos sintonia e os bons caminhos da amizade.

Obrigado e um Abraço
César Ramos

César Ramos disse...

Fábio,

Obrigado pela visita e pelo convite a conhecer o seu blog.
Lá fui, vi, gostei e registei-me como seguidor!
Parabéns pelo seu óptimo trabalho de características lúdicas e de grande nível cultural!
Conte com os meus modestos comentários daqui em diante.

Agradeço as suas gentis palavras e os votos de sucesso!

Um grande abraço também e,
até sempre

César Ramos

César Ramos disse...

José,

Obrigado por ter aparecido e ter deixado a sua expressiva opinião sobre esta figura do mundo do espectáculo, e não só!

Como idealista, Chaplin deixou uma marca positiva e indelével no micro-cosmos da História!

Afinal, fez-nos rir, mas também nos fez pensar!
É por isso que
se tornou indispensável nunca o esquecermos!

Um abraço pela sua estimada participação.

César Ramos

César Ramos disse...

Momo,

Estou em dívida consigo, pois ainda não agradeci o envio de um post seu sobre o CHE!
Trabalho super objectivo! Muito bem redigido e raciocinado!

Obrigado pelo que disse hoje, neste comentário; mas,... "hasta mi vuelta"? - vai haver outra ausência
no "Orillas"?

Se tiver de ser, desejo-lhe tudo de bom; entretanto, regresse depressa...

Un abrazo

César ramos

César Ramos disse...

Luísa Moreira,

Obrigado por mais esta visita com comentários benévolos sobre a humildade dos meus posts!

Ainda bem que ninguém suspeitou de que fui o autor da espécie de 'cantiga' que publiquei - "Lembrando Charlot"!

Lá me safei... de mais um ridículo!

Misturei tudo, e penso que acharam que isto vinha na 'poeira' do meu velho arquivo de imprensa!

Bem haja Luísa,

Abraço
César

gin-tonic disse...

Pegando num velho recorte do “Jornal de Notícias” de 4 de Abril de 1972, pode ler-se:
“Tenho um grande afecto pelos Estados Unidos. Afinal, foi um país onde passei 45 anos da minha existência e do qual possuo recordações muito agradáveis. Quanto às coisas desagradáveis, já nem as recordo. Aliás, deixaram de ter para mim qualquer significado válido. Penso que quanto mais uma pessoa envelhece, mais tolerante se vai tornando a respeito de tais coisas desagradáveis.”
Charles Chaplin não soube envelhecer. Acontece a muita gente…
Convém sublinhar que pouco importa o que o Sr. Charles Spencer Chaplin, nos anos finais da sua vida, esparramado na sua casa, frente aos lagos da Suiça, disse. Importa o que nos disse nos seus filmes, isso sim, isso é que é muito importante e é o que fica para a História e é isso que não esquecemos.
O poema do Eduardo Valente da Fonseca é muito bonito e fez bem em o reproduzir.
Quanto ao resto, caro César Ramos, vai passando pelo “Alfobre”. Gosta sempre de passar por sítios que lhe dizem alguma coisa.
Um abraço

Anónimo disse...

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