[ Vox populi vox Dei ]

2010-02-05

MIGUEL BOMBARDA...da Medicina à REPÚBLICA!

FACHADA DO HOSPITAL MIGUEL BOMBARDA
(Antigo hospital psiquiátrico de Rilhafoles)
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DR. MIGUEL BOMBARDA

.Dr. MIGUEL BOMBARDA, nascido no Rio de Janeiro - Brasil - [1851-1910], médico ilustre que desenvolveu a Psiquiatria portuguesa actualizando-a em relação aos progressos científicos ocorridos na Europa, abraçou a Causa Republicana, pugnando pelo registo civil obrigatório e pela expulsão das congregações religiosas.

Inscreve-se no Partido Republicano Português em 1909 e, em 1910, é eleito deputado republicano nas eleições de Agosto.

Como membro do Comité revolucionário para a implantação da República, é considerado o seu Chefe civil.

Já não assistiu ao triunfo da revolução, por ter sido assassinado, em 3 de Outubro, por um seu doente, um antigo tenente do Exército, que tinha estado internado no Hospital Psiquiátrico de Rilhafoles, em Lisboa, de que Miguel Bombarda era director.

O seu assassínio, levou os membros da Carbonária Portuguesa a acelerarem o início das operações [com a intrépida liderança de Machado Santos, após o precipitado suicídio do líder militar Almirante Cândido dos Reis].

Neste centenário da implantação da República, queremos lembrar o homem que sucumbiu durante o processo revolucionário de que brilhantemente fez parte, razão pela qual o hospital que coordenava passou a ter o seu nome.

.Segue-se um apontamento histórico daquele estabelecimento de saúde:

Pertencente à Congregação do Oratório de São Filipe de Nery, o Convento de São Vicente de Paula foi construído por licença de D. João V datada de 1717, na então chamada Quinta de Rilhafoles.

Aparentemente, a Congregação introduzida em Portugal em 1716 pelo padre José Gomes da Costa, esteve para não se fixar entre nós, apanhada pelo movimento anti-clerical e pelo clima de hostilidade dos intelectuais e políticos da época e, provavelmente, se não fosse a coincidência de nessa época estarem a decorrer as festas da canonização de S. Vicente de Paula, D. João V não teria autorizado a sua fundação.

O Convento de Rilhafoles, que sofreu pequenos estragos com o terramoto de 1755, ficava na antiga rua da Cruz do Gameiro, no alto de um monte, próximo do Convento de Santo António dos Capuchos e incluía o convento propriamente dito, com a frente virada para o rio Tejo e uma igreja, construída dentro de um pátio pequeno.

O templo contava cinco capelas, além da capela-mor, onde estava a imagem de Nossa Senhora, padroeira de Portugal.

Foi na época considerado um dos mais interessantes edifícios da cidade de Lisboa.

Desabitado a partir de 1834, o complexo de Rilhafoles foi aproveitado para instalar o Real Colégio Militar, tendo-se realizado obras para acomodar os jovens estudantes.

Com a transferência do Colégio Militar para Mafra, em Novembro de 1838, o antigo convento foi em seguida destinado a hospital de alienados de ambos os sexos, sendo o primeiro hospital exclusivamente psiquiátrico do país.

Nesse sentido, foi um dos primeiros estabelecimentos hospitalares a ter director médico e um regulamento especial concedendo-lhe alguma independência.

Em 1889, o hospital passou a beneficiar do chamado «fundo dos alienados», na sequência do interesse gerado pelos excelentes resultados que vinham atingindo naquele hospital quanto a cuidados psiquiátricos, canalizando pela primeira vez receitas que, posteriormente, contribuiram para a criação e apetrechamento de novas unidades de psiquiatria.

Miguel Bombarda, fascinante e multifacetada figura da Medicina Portuguesa, tem vasta e diversa representação na escultura, pintura, literatura de ensaio e toponímia de diversas localidades, o que consagra a dimensão nacional do seu nome e o integra na galeria das glórias do País.


Cirurgião do banco, dois anos após cursar Medicina cedo direccionou os seus interesses para «os padecimentos dos alienados», aí centrando a maior parte da sua actividade assistencial e científica.


Miguel Bombarda teve uma intensa participação política. Deputado às Cortes, era uma das vozes mais respeitadas do Parlamento, onde defendeu a reforma do ensino médico, a criação da Escola Médica de Goa, e da Escola de Medicina Tropical.

A ele se devem iniciativas relevantes para a Medicina Portuguesa, como o XV Congresso Internacional de Medicina, cuja cerimónia de abertura foi feita coincidir com a inauguração do edifício da Faculdade de Medicina de Lisboa.


A obra escrita de Miguel Bombarda é, porventura, das mais fecundas da Medicina Portuguesa e com mais diversificadas preocupações: das doenças mentais, que ocuparam grande parte da sua vida científica, às questões da organização dos serviços de saúde, da deontologia do exercício profissional, da associação sindical dos médicos, da prática médico-legal e da estrutura dos serviços forenses.

Se se adicionarem os textos doutrinários, os de intervenção social, os muitos ensaios sobre crítica literária e as biografias, as muitas centenas de textos de Miguel Bombarda constituem o legado «renascentista» de um livre-pensador, tribuno brilhante, académico e cientista de invulgar envergadura.

.Legenda:

Fotos: Seleccionadas na internet.

Fontes: Biblioteca da SHIP (Soc. Histórica-

onde o autor do blog é Sócio)

3 comentários:

Zoe disse...

Boa noite César
obrigada por estes post, não sabia nada da vida de Miguel Bombarda.
abraço
zoe

Sonia Schmorantz disse...

"É a possibilidade que me faz continuar e não a certeza. Uma espécie de aposta da minha parte. E embora me possam chamar sonhador, louco ou qualquer outra coisa, acredito que com Deus tudo é possível..."
Um lindo domingo e ótima semana!
abraços

Luisa Moreira disse...

Olá César,

Foi bom ler, o que escreveu. Desconhecia, a vida deste Homem.
Obrigada pela partilha!

Abraços

Luisa