[ Vox populi vox Dei ]

2010-01-05

PROUDHON e O SOCIALISMO no SÉCULO XXI

= PROUDHON=
[ A propriedade é um roubo ]




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PIERRE-JOSEPH PROUDHON (1809-1865) - é o fundador de importantes tradições do socialismo. Se Saint-Simon e Fourier influenciaram a tradição socialista, as suas doutrinas nunca constituíram, no entanto, um movimento.
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Mas com Proudhon afirmaram-se dois movimentos: o Anarquismo e o Socialismo Democrático-Libertário.
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Para Proudhon a liberdade era o início e o fim. A liberdade entendida com a liberdade do homem comum, das pessoas vulgares, dos trabalhadores, não apenas a liberdade dos intelectuais.
A liberdade para se fazer o que apeteça, desde que não seja prejudicar o próximo. Todos os que, como ele, nasceram e viveram na pobreza, estão limitados na sua capacidade de exercer a liberdade.
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Limitados pela desigualdade, pela exploração económica e pela censura e opressão governamental.
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Liberdade é a ausência de condições que me impedem de ser eu e o melhor que posso ser. O Estado encarna e reforça todos estes obstáculos, quer como governo de uma minoria, quer como governo dos representantes da maioria.
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Utilizou o termo anarquia, para expressar a desordem positiva que impede a uniformidade e expande a diversidade e as contradições. A verdadeira ordem será igualitária, viva e não hierárquica.
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Combateu a acumulação de propriedade baseada no lucro, no arrendamento, na extorsão do valor excedente do trabalho. Considerava que a propriedade usada desta forma era um roubo. Desejava maior igualdade económica para bem da liberdade individual e acreditava numa sociedade sem classes.
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Admirado por Marx, rapidamente entraram em polémica, latente na resposta de Marx à Filosofia da Miséria, ao qual contrapôs a Miséria da Filosofia.
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Proudhon defendia, para além do anarquismo e do individualismo igualitário, a disponibilidade de crédito para as pequenas empresas e produtores independentes, e uma estrutura constitucional da lei pública para tratar dos diferendos entre os indivíduos.
Considerava também necessário que o edifício constitucional regesse a organização ordenada do trabalho e das trocas dos produtos e serviços.
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As assembleias constituintes deveriam ser convocadas para criar estas leis, mas não deveriam continuar, voltando a serem reunidas sempre em caso de necessidade.
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Desconfiava do parlamentarismo, por muito representativo ou democrático que fosse, porque o parlamentarismo e o governo das assembleias, representavam outra face do Estado, o que implicaria a recondução ao despotismo.
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Para o socialismo no século XXI, o pensamento de Proudhon é representativo de um inesgotável rejuvenescimento da ideia socialista e libertária.
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Perante o burocratismo, o centralismo excessivo e as posições estatistas que teimam em persistir como armas da contra revolução interna, para obstaculizar a construção de sociedades mais justas e livres, as suas reflexões merecem toda a atenção, para que não se repitam muitos dos erros do socialismo no século XX.







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Fontes:
- Contradições económicas. (Filosofia da miséria). Proudhon. Editorial Estampa, Lisboa, 1977
-Qu´est-ce que la proprieté? (Recherches sur le príncipe du droit et du governement) – Ed. Maspero, Paris, 1966.
- Socialism without the state – E. Luard, Macmillan, Londres, 1979.
- History of Socialism; G.D.H.Cole, 5 Volumes, Londres, 1953/1960
- General History of Socialism and Social Struggles, Marx Beer, 5 Volumes, Ed. Parsons, London, 1922/1925.
- Socialism and Freedom, Bryan Gould, Macmillan, London, 1985.
- Socialism, Bernard Crick, Open University Press, London, 1987.







.«... a trincheira firme ...».




Legenda:
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Texto e imagem de Che Guevara in: Fábrica dos blogs
Foto de Proudhon: extraída da Internet


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