[ Vox populi vox Dei ]

2010-01-10

« LENDA e MARTÍRIO... de CHE GUEVARA »






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Na tarde de 9 de Outubro de 1967, o sargento boliviano Mário Teran, após ter bebido umas cervejas, dirigiu-se de arma de fogo em punho para o gabinete da Escola de La Higuera, onde estava, de mãos atadas, o homem mais procurado pelas Forças Armadas de vários países latino-americanos.

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O prisioneiro levantou-se e perfilou-se diante do sargento Teran. Terá havido uma áspera troca de palavras. Depois, vários tiros soaram, e o corpo aprisionado caiu para sempre: era Ernesto «Che» Guevara - o homem que tinha 'passado à clandestinidade ', após ter apresentado a "Carta de demissão" a Fidel de Castro num discurso público (dedicado ao povo cubano), em 2 de Outubro de 1965.
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A última aventura revolucionária de «Che» durara onze meses, nas selvas e campos da Bolívia. A sua alucinante epopeia revolucionária junto dos povos do Terceiro Mundo, mormente os da América Latina, durara mais de treze anos.

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Guevara, o romântico estudante de medicina argentino que desde criança empreendeu viagens aventurosas através do seu continente; o jovem que resistiu às primeiras desilusões revolucionárias na Guatemala e na Bolívia; o Licenciado em Medicina que se entusiasmou com os projectos dos exilados cubanos chefiados por Fidel de Castro, mesmo depois do fracasso de Moncada; o guerrilheiro estratega da Sierra Maestra; o economista e financeiro da jovem república revolucionária cubana; o orador incendiário das altas tribunas internacionais; o «herói» mitológico da juventude insatisfeita de todos os países...
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... que o não deixou perecer para sempre..., às balas disparadas pelo sargento Teran!

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Che Guevara: revolucionário puro, ou místico-romântico? Comunista ou anti-comunista? Santo ou Vilão?

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Os heróis mortos são convenientes!
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Desde a morte de Che Guevara, o Governo de Fidel de Castro e os partidos comunistas de orientação moscovita, transformaram o seu nome num símbolo do militante comunista.
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Atrás desta fachada de oratória, manifestos e panfletos, mantêm-se porém, as realidades do desacordo.
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Vivo, Che era um desafio a Fidel de Castro, um irritante, uma perturbação e um perigo; morto, a sua memória poderia servir para conquistar apoio e contrapor a dúvidas e murmúrios anti-governamentais.

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Vivo, Che era um obstáculo para Moscovo e para os seus partidários latino-americanos, uma fonte de novas cisões no já muito dividido movimento comunista; morto, o seu nome pode fazer companhia a outras figuras históricas - como a de Rosa Luxemburgo - que discordaram da política de Moscovo, mas acabaram por se transformar em convenientes símbolos de martírio.

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Não faltam tatuagens, bandeiras, "pins", o «logo» em tudo o que é visível...!! Até nos braços tatuados [e picados] do futebolista Diego Maradona...!

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Não!... isto pode parecer muito engraçado,.... mas não é sério...!

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Os mitos e as lendas, podem arrastar-se para terrenos pantanosos, evocando-se o nome
de... [ ]... em vão...!


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Não vou " adormecer"... por aqui" (...)
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Planeei no quadro idealista do Alfobre... falar de figuras que marcaram época... distinguiram-se da vulgaridade do 'penso... logo, existo...' e, deixando obra para continuar, são, contudo manipulados por oportunistas que os usam como aríetes para abriem novas portas, noutras muralhas que eles nunca defenderam (...)

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Tenho material preparado para poder argumentar sobre Fidel, Cuba, e um manancial que é do conhecimento de todos.... mas, penso que fazem o favor de esquecer!
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Antes de [re] apresentar um poeta e um trabalho da sua Obra, deixo no ar que Cuba deve ser vista de forma mais inteligente pelas diversas orientações políticas internacionais.

. Até aos próximos posts sobre a questão..., é necessário ir reflectindo o porquê de Cuba ter sido tão visitada por insignes figuras do "panteão" político internacional..., incluindo o anterior Papa, de quem Fidel... se despediu..., chorando!
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Até depois...!


Consumado o assassinato de Ernesto Guevara, vou dar voz... à forte expressão poética e também declamatória de, NICOLÁS GUILLÉN, no seu poema de 15 de Outubro de 1967, intitulado:




.CHE COMANDANTE.



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No porque ayas caído
tu luz es menos alta.
Un caballo de fuego
sostiene tu escultura guerrillera
entre el viento y las nubes de la Sierra.
No por callado eres silencio.
Y no porque te quemen,
porque te disimulen bajo tierra,
porque te escondan
en cementérios, bosques, páramos,
van a impedir que te encontremos,
che Comandante,
amigo.

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Con sus dientes de júbilo
Norteamérica rie. Mas de pronto
revuélvese en su lecho
de dólares. Se le cuaja
la risa en una máscara,
y tu gran cuerpo de metal
sube, se disemina
en las guerrillas como tábanos,
y tu ancho nombre herido por soldados
ilumina la noche americana
como una estrella súbita, caída
en medio de una orgia.
Tú lo sabias Guevara,
pero no lo dijiste por modestia,
por no hablar de ti mesmo,
che Comandante,
amigo.


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Estás en todas partes. En el índio
hecho de sieño y cobre. Y en el negro
revuelto de espumosa nuchedumbre,
y en terrible desamparo
de la banana, y en la gran pompa de las
[pieles,]
y en el azúcar y en la sal y en los cafetos,
tú, móvil estatua de tu sangre como te
derribaron,
vivo, como no te querían,
che Comandante,
amigo.


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Cuba te sabe de memoria. Rostro
de barbas que clarean. Y marfil
y aceituna en la piel de santo joven.
Firme la voz que ordena sin mandar,
que manda compañera, ordena amiga,
tierna y dura de jefe camarada.
Te vemos cada dia ministro,
cada dia soldado, cada dia
gente llana y difícill
cada dia.
Y puro como un niño
o como un hombre puro,
che Comandante,
amigo.


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Pasas en tu descolorido, roto, agujerado
traje de campaña
El de la selva, como antes
fue el de la Sierra. Semidesnudo
el poderosp pecho de fusil y palabra,
de ardiende vendaval y lenta rosa.
No hay descanso.
Salud Guevara!
O mejor todavia desde el hondón
americano:
Espéranos. Partiremos contigo. Queremos
morir para vivir como tú has muerto,
para vivir como tú vives
che Comandante,
amigo.











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Poema: do Autor, Nicolás Guillén.
Imagens: selecção na Net


9 comentários:

Ricardo Calmon disse...

Bela ,intensa e justa ode,à Guevara!
tu és escriba,e te referendo e tributo!

viva la vida!

Luisa Moreira disse...

César,

Guevara, tornou-se um ícone, não só de Cuba, mas de toda a América Latina de expressão castelhana. Jovem idealista, que pensava que mudaria o mundo, caiu numa emboscada, a de acreditar que podia fazer a revolução, sem ser traído. A lenda morta, serve de bandeira, de exemplo, fica bem num discurso, concordo consigo quando diz: Os heróis mortos são convenientes! Hoje, há quem use o seu rosto estampado em t-shirts, sem saber concretamente que é. Lamento que o tenham transformado num sex-symbol.

Hasta Siempre Comandante

Abraço

Luisa

Reaças disse...

Longa vida a Mario Teran, que finalmente acabou com um dos maiores assassinos do século 20!
Escarro em qualquer elogio, principalmente quando não se conhece o filho da puta, o assassino que este merdas era!
Fico com pouca vontade de voltar a este blogue.
Já agora, falta elogiar Estaline, Fidel Castro, Mao Tsé Tunge outros assassinos que no século passado vicejaram!

gin-tonic disse...

Nesta noite de chuva gelada a grande conversa que daqui nasceria.
Chegado à idade a que chegou, ter visto o que viu, e possivelmente ainda terá para ver, calamamente pode dizer:
Cuba é a revolução do seu tempo, acompanhou a visão romântica de todos aqueles passos, a grande utopia que marcou uma geração. Ainda hoje não fica indiferente quando olha aquela fotografia em que um barbudo, no mato, rodeado de camponeses, fuma um charuto e ensaia caminhos que hão-de ir da Sierra Maestra a Havana, para o dia em que Cuba deixou de ser o quintal, o casino a casa de putas dos Estados Unidos.
Che Guevara também parte desse tempo, da utopia
Mataram-no?
“Sou tão útil morto como vivo”, citado por Montalban, é o que terá dito a quem sobre ele disparou.
“Vou por onde morreste. Vou por onde vossos pés instigaram aos caminhos. Vou pelos meses em que abandonastes por sol muito ardido e muito denso os vossos sítios de nascer e amar”, escreveu num bonito poema a Hélia Correia.
A noite está mesmo gelada, mas, como em outro lugar disse: espera a Primavera.
Ou citando uma velha amiga: “Quem pára morre. Eu retomo a estrada.”
Um abraço

Zoe disse...

boa noite césar
concordo consigo: che serviu mais a revolução cubana morto do que vivo
abraço
zoe

Sill Scaroni disse...

Hasta Siempre Che e nossos ideais de tranformar este planeta em um outro mundo possível.
Muito interessantes as temáticas do teu blog.
Feliz 2010 !

Sill

momo disse...

y aveo que navegas por algunas orillas parecidas a las mias.
un besin


http://navegandopormisorillas.blogspot.com/2009/03/no-tenia-ninguna-intencion-de-hacer-una.html

relogio.de.corda disse...

Em primeiro lugar, uma palavrinha ao "Reaças"."Caro" Reaças que comentário tão pouco inteligente o seu!
Suponho que o autor deste blogue não se importará nada, mas mesmo nada, se não voltar.

Anónimo disse...

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