[ Vox populi vox Dei ]

2010-01-12

«"LA PIETÁ": MENSAGEM da PEDRA TERNURA»

« "La Pietá" - A Pedra que é uma ternura »
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Desenho conservado na Igreja de S. Pedro,
indicando a "cripto-escultura" que se observa
em especiais condições de iluminação
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Grande plano do busto esculpido e acima desenhado

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MIGUEL ÂNGELO (com apenas 23 anos de idade) ficou tão apaixonado por esta sua primeira grande obra de escultura, que deixou gravado o seu nome na faixa que atravessa o seio da Virgem Maria, o que não acontece em nenhuma outra obra sua. Alguém definiu a maravilhosa obra como «A pedra que é uma ternura».
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Ao perguntarem a Miguel Ângelo porque é que tinha esculpido o rosto da Mãe tão jovem como o do Filho, respondeu:
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« As pessoas apaixonadas por Deus... nunca envelhecem ».


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Ocupando-se, num artigo publicado no «Tempo» [1953] de Milão, de «La Pietá», de Miguel Ângelo, o escritor L.T. Quattrociocchi estabelece uma pergunta ou propõe um problema interessante, a propósito de dois vultos que figuram, sem notável evidência, na obra prima do genial artista. Vejamos:

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Observando atentamente a escultura, revela-nos ela, nas dobras da roupagem correspondente ao peito da Madona, duas cabeças que, com impressionante evidência, apareceriam, se a observação pudesse ser feita com iluminação radiante do alto e da direita, como requereria a postura do Cristo e como naturalmente o desejaria o escultor.
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Numa dessas cabeças, a do lado esquerdo da Virgem é a de uma criança, a do lado direito um crânio.
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Os dois vultos encontram-se quase no centro do grupo e o olhar parece voltar-se para o observador. A parte superior é quase em pleno relevo: a fronte, as arcadas arbitrárias, a base do nariz, e os zigomas. A parte inferior é, contrariamente, tapada e confunde-se com as dobras da roupagem, indicando, porém, claramente, a sombra da boca, as fossas nasais e o mento.

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O que teria querido significar Miguel Ângelo com os dois vultos?

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A iluminação do grupo, que não parece ser a mais indicada e, principalmente, a excessiva distância e a altura a que fica de quem o olha, não deixam apreciar, no seu justo valor, o modelado de Cristo e a expressão do vulto de Madona.

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Com um binóculo, as coisas melhorariam um pouco e os pormenores, que à primeira vista escapam, poderiam apreciar-se melhor.

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Não é caso para nos assombrarmos que as duas cabeças não hajam sido até agora mais notadas: o fenómeno explica-se, reflectindo-se em que o panejamento á a parte menos importante da «Pietá». É possível que o artista não tenha querido distinguir, propositadamente, estas duas cabeças, escondidas na roupagem, mas facto definitivo e acentuado que não deve, na opinião de Quattrociocchi, atribuir-se a qualquer bizarria. E volta a pergunta sobre a intenção que presidiu à realização das duas cabeças.

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Em reforço do problema posto, Quattrociocchi, continua:
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«Não faltam alegrias nas obras de Miguel Ângelo. De seu próprio punho deixou ele esta estranha explicação das figuras da tumba Medicis: - O dia e a noite conversam e dizem: com a nossa veloz corrida conduzimos à morte o Duque Giuliano; é justo experimentar a vingança. E essa vingança é esta: é que tendo nós morto, também morto nos há tomado a nós a luz».

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E conjugam bem esse o seu feitio solitário introduzir quase escondidamente uma reflexão pessoal na obra em execução: pense-se no dolente auto-retrato na pele do S. Bartolomeu do Giudigio da Capela Sistina! Miguel Ângelo esmagado pela sorte adversa e pelos inimigos.

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A alegoria contida nos dois vultos da «Pietá» pode significar a caducidade dos seres humanos: o próprio Cristo se não subtrai a semelhante lei, pelo facto de ter querido nascer e morrer como
homem, antes de ressurgir como Deus.

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Nessas duas caras que misteriosamente afloram do peito da Virgem, Miguel Ângelo quis talvez exprimir o fatal parentesis que se abre com o nascimento e se encerra com a morte, e para condizer com a linguagem oculta impressa na pedra pelos artesãos pedreiros do escopro e martelo, conhecidos por «maçons», que gravavam na pedra das construções dos templos as suas mensagens filosóficas através de imagens e símbolos, até há pouco quase indecifráveis.











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Autoria do Alfobre:
Extra textos,Traduzido e adaptatado
de artigo do «Tempo»/Milão - 1953
c/foto do desenho.

Fotos: Escolhidas na Net

5 comentários:

Luisa Moreira disse...

César,

É de ficar apaixonado pela obra, porque é maravilhosa.

O desenho mostra algo que desconhecia.

Obrigada, por nos trazer mais conhecimento.

Abraços
Luisa

Palma disse...

Parabéns por este excelente post. Miguel Ãngelo uma artista sublime ? Palma

Reaças disse...

Gostei!!! Depois do assassino a redenção!
Teve graça, sim...

Austeriana disse...

Venho juntar-me ao grupo. Felicito-o pelo excelente post!

Berdades disse...

Agradeço e retribuo a visita à minha "mercearia blogosferica" e cá passarei regularmente porque de facto é digno disso.
Bom fim de semnana