[ Vox populi vox Dei ]

2010-01-29

« DIGAM,... de VOSSA JUSTIÇA ...! »


OS CAMINHOS
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O CHE

Nem um tanque
nem uma bomba de hidrogénio
nem todas as bolitas do mundo
luta em todas as partes
e em todas as partes
florescem as figueiras
do rio baixam montões de guerrilheiros
em Figueira do Rio dizem que o mataram
Che comandante
nós somos o caminho
e tu o caminhante
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.« A 15 de Janeiro de 1967, o poeta-guerrilheiro sandinista Leonel Rugama foi abatido num combate desigual contra as forças do ditador Anastázio Somoza.
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Não se rendeu ao inimigo, que foi armado pelo imperialismo e naquela altura impunha a ferro e fogo o domínio sobre os povos da América Central, sobre a Nicarágua.
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É desse poeta-guerrilheiro o poema ao Che que hoje faço lembrar por duas razões:
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Primeiro, por que o Che é de todo o mundo, mas muito particularmente dos dois lados mais sofridos do Atlântico Sul, precisamente quando as ditaduras fascistas e coloniais se impunham aos povos da América Latina e de África em plena década de 60.
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O Che após a gesta da Revolução Cubana, deu a sua contribuição à luta em África e na América Latina, até ao seu último suspiro, como um heróico comandante guerrilheiro.
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Depois por que deste lado do Atlântico três anos e alguns dias depois da morte de Leonel Rugama, a 27 de Janeiro de 1970, outro guerrilheiro, Rafael Zembo Faty, “Veneno”, tombava duma forma invulgar: para não se render às forças colonialistas portuguesas que haviam conseguido destroçar a coluna de que era comandante, como não possuía mais munições, suicidou-se com arma branca.
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Hoje aqueles que perfilham a lógica construída com sentido de vida sabem de onde vêm, que sementes estão na sua origem e como tudo começou desde Espanha, mesmo que muitos dos que tombaram no “Terceiro Mundo”, (na América Latina, em África e no Sudeste Asiático) não se conhecessem entre si, mas sentissem o que os unia para além da geografia.
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40 anos depois, ao recordar Leonel Rugama e Rafael Zembo “Veneno”, não basta vincar seu heroísmo, sua fidelidade, sua solidariedade disposta ao extremo e sua fé inquebrantável que superou o sopro de suas individualidades tão invulgarmente destemidas.
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O poder avassalador daqueles que manipulam a “alta finança” tem gerado as políticas da lógica capitalista neo liberal, com todo o cortejo de injustiças, de desigualdade, de egoísmo, de miséria e de morte para a grande maioria da humanidade, ao mesmo tempo que afectam cada vez mais a natureza, a Mãe Terra.
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Ganhar consciência dos artificiosos fenómenos que atingem de forma tão drástica o homem e a natureza através de inteligentes ideologias que promovem a educação, a saúde, o equilíbrio ambiental e a paz, é hoje tão essencial quanto há 40 anos era essencial lutar de armas na mão contra as ditaduras e o colonialismo.
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Na Nicarágua a Frente Sandinista honra a história e os seus mortos guerrilheiros com sua participação no quadro duma ALBA que é uma esperança para todos os deserdados da Terra.
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Em Angola, mesmo com um MPLA esvaziado do original sentido histórico de movimento de libertação, mesmo que oficialmente não se recorde o comandante “Veneno”, aqueles que têm memória mesmo nunca o tendo conhecido pessoalmente, retemperam no seu exemplo as suas forças e ganham fôlego para as batalhas que se seguirão contra a mentalidade neo liberal que se vai instalando na pátria de Agostinho Neto.
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No Brasil, dez anos depois faz-se o balanço do Fórum Social Mundial e equacionam-se inteligência e esforços para a década que aí vem por que “um outro mundo é possível”!
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Che comandante
nós somos o caminho
e tu o caminhante »
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POR: Martinho Júnior
[IN: Posted by Fábrica dos Blogs at Sexta-feira, Janeiro 29, 2010 ]

1 comentário:

Anónimo disse...

Caros cibernautas,

Afinal... ninguém disse fosse o que fosse de sua, ou de outrém Justiça!

Temos um liberal desbragado a dominar os Angolanos que em 1961 deram o grito de Ipiranga!

Para quê?

Para eu fazer figura de reacionário e dizer que foram só e apenas, tiros de pólvora seca?

Leio por aí..., que Angola - que já não é nossa - está em grande! Para quem?... os Angolanos?
Quais?
Não sei! Mas alguém há-de vir a saber (...)

Houve um político que deixou uma frase tipo: " havemos de chorar os mortos, etc. etc. "...
mas..., os mortos de que lado?

Sem o saber, terá acertado, porque o povo angolano tem muito que chorar pelos seus mortos, face ao que se está a passar,... visto os vivos o não o merecerem.

Preto da Machamba