[ Vox populi vox Dei ]

2009-11-02

AMORES DOCES da ÁGUA do MAR


[Desde sempre ouvimos dizer que as sereias eram uma lenda que enchem páginas de poesia e alguma prosa, pelos encantamentos estranhos submetidos a marinheiros e a pescadores.
Porém, no Zaire, ex-Colónia belga e actualmente República Democrática do Congo, tivémos contacto pessoal com nativos dedicados às artes das pescas e, depois de se sentirem à vontade para se exteriorizarem, segredavam-nos nestes termos fidedignos: « "Patrão",... já vimos muitas sereias!.... elas são verdadeiras; não é muito vulgar encontrá-las, porque são elas que procuram a gente...! "Patrão",.... eu vai confessar que é uma pena elas cheirarem a peixe!... senão,... casava com elas...» Isto dito olhos nos olhos,... deu sempre que pensar a qualquer europeu decidido a julgar-se dono e senhor das suas convicções civilizadas! ]
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Seko Wa Za Banga é um desses naturais daquele país africano, que jura ter tido contactos com as sereias.
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Za Banga era, em toda a acepção da palavra, um homem do mar. Dele dependia o sustento do seu agregado familiar. Geralmente, a sorte não lhe era adversa. O bom Deus, ou lá o que era que governava o mundo, sempre lhe sorria na faina do seu métier,... ganha pão.
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E, lá de cima, o Sol parecia abençoá-lo no seu mistério de arrancar das águas o sustento da família.
Uma cachimbada e um espraiar da vista pelo céu, orientando-se pelas gaivotas..., que sempre o guiavam para os lugares onde o peixe abundava.
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Mas, estava escrito que, naquele dia, algo de extraordinário estava para acontecer ao bom Za Banga... dezenas de belas sereias, as lendárias habitantes dos fundos oceânicos, avistaram lá de baixo o bote do intrépido pescador.
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Rápidas, subiram à superfície e... num instante, sedutoras e lascivas rodearam Seko Za Banga transformando-o em náufrago, de barco virado.
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Sem uma única palavra pronunciada por ele, ou som emitido por elas, Banga viu-se submergir nos abismos do desconhecido com o 'cardume' das belas sereias. Porém, por estranhos desígnios da natureza, Za Banga não se sentia afogar! Guiado por elas entrava agora numa gruta submarina, da qual veio a emergir ao centro da caverna, onde uma outra sereia - a mais bela de todas -, o esperava curiosa e provocante!
Então, o pescador subiu um pouco e, rodeado pelo que lhe pareceu o Estado-Maior daquele exército de mulheres-peixe, foi apresentado à mais bela das sereias, qualquer coisa como a sua majestosa rainha, estonteante de beleza e de personalidade! Num ápice, Za Banga viu-se escamoteado das suas roupas, e posto perante a grata surpresa de ser o responsável pela continuidade da existência daquele paraíso submarino, onde habitavam as belas sereias.
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O pescador amou a linda sereia com o ardor da sua maturidade e o desejo quase insaciável daquela rainha dos abismos submarinos ! Amou-a... e voltou a amá-la!... três... quatro vezes! E a miscigenação aconteceu!
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Plenamente fecundado, o ventre da sereia- rainha iria crescer e, em breve teria as dores, que seriam o prenúncio do nascimento de numerosas sereiazinhas que garantiriam a existência por uns tempos do mito, ou da autenticidade, daquelas senhoras lindas, que parece cheirarem bastante a peixe!
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Seko Za Banga foi levado do local da cerimónia ritualística para outro sítio! Para trás, ficou a rainha sereia que sorria feliz, pela satisfação amorosa mitigada e pela certeza de ter cumprido o seu destino de continuadora da espécie - qual abelha- mestra de cortiço!
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Por razões que a razão desconhece,... pela primeira vez, Za Banga sentiu-se a afogar nas águas! Uma sereia arrastava-o velozmente aos círculos e em grandes remoinhos! Perdeu os sentidos, e não sabe por onde andou boiando, até o mar - que tudo devolve - o ter atirado para as areias da praia(...)
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O cansado e desfalecido Za Banga ao dar acordo de si, achou-se sem qualquer peça de roupa, e não percebia porque não estava no seu barco, nem o avistava na água; tinha uma leve ideia de ter visto uma belas mulheres de longos cabelos, algures sem saber onde!... e a coisa que mais o intrigava, é que sem barco, nem ter junto de si qualquer pescaria,... cheirava a peixe, que tresandava!


4 comentários:

T disse...

Bonita história:)
Abraço

Maga disse...

A história é linda, fica demonstrada uma coisa: é sempre possivel um sonho tornar-se realidade, só é preciso uma alma pura, uma vontade férrea para superar as dificuldades!
Um aqbraço da
Maga

Luisa Moreira disse...

César,

Tal como a Maga diz: o sonho torna-se realidade, com sonho, vontade férrea e uma alma pura.

Abraço
Luisa

César Ramos disse...

Sim!
- António Gedeão, Rómulo de Carvalho - meu mestre -,
'cantou':
- O sonho... comanda a Vida!

César