[ Vox populi vox Dei ]

2009-10-21

TAXI DRIVER BLOGGER



Apr 14
2008
Taxitramas O blog de um taxista
Postado em (Blogosfera) por Marcel Maineri em 14-04-2008
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Bom, hoje meu primeiro post da semana vai ser a dica de um blog que eu já acompanho já faz algum tempo. O nome do blog se chama Taxitramas, e ele é escrito por Mauro Castro, taxista aqui de Porto Alegre. Todos nós já pegamos taxi em algum momento. E sabemos que os taxistas pegam tudo que é tipo de passageiro. Tem taxistas que falam um monte, outros tocam o som lá em cima, outros simplesmente fica quietos. Mauro Castro tem um diferencial, ele escreve suas corridas em um blog.
Os textos do Mauro são ótimos, com um bom conteúdo, uma boa narração e o final é sempre surpreendente. Até onde cada história é verdade nós não podemos descobrir, mas que como taxista ele é um ótimo contador de história, ah isso é verdade. Não dou algum tempo para que alguma publicação realmente descubra ele. Nem que seja a Papo de Homem. Abaixo eu vou colar dois textos deles, aproveitem a leitura!
Uma tragédia anunciadaTudo começou quando alguns colegas de trabalho resolveram despedir-se de um amigo que estava se aposentando. Decidiram comemorar em um inferninho barato, no Centro de Porto Alegre. Foi lá que meu passageiro acabou conhecendo a mulher que o levaria à loucura.Apaixonado pela garota de programa, ele voltou ao cabaré dias depois, mas não a encontrou mais. A dona do lugar não sabia dizer exatamente onde a jovem morava. Lembrava apenas que era em uma casa do Bairro Sarandi e que, no seu muro, havia a propaganda de um certo candidato a vereador.Foi assim que conheci e fiquei amigo desse meu passageiro. Passamos uma tarde inteira à procura da bendita casa com o muro pintado. Acabamos achando. A casa, aliás, não era da garota, mas do namorado dela, que, por sorte, estava fora por uns tempos… Foragido da polícia.É difícil dizer o que leva um homem maduro, casado, com situação financeira estável a se envolver em uma aventura amorosa desse tipo. O fato é que meu passageiro jogou-se de cabeça. Na esperança de afastá-la do passado, alugou um apartamento, no qual instalou sua amada. Eu o levava até lá todo o santo dia.O ex-namorado, porém, acabou descobrindo o novo endereço da garota. Invadiu o apartamento no meio da noite. Pegou-a na cama, nos braços do amante. Matou os dois.Não houve quem chorasse por ela. Apenas um caixão às moscas no centro de uma capela vazia. Em outro cemitério, no entanto, as pessoas se amontoavam para despedir-se do homem que morreu na cama da amante.Meu passageiro jamais se recuperou do golpe. Visita o túmulo da garota com freqüência. Mesmo sabendo que ela o traía com o porteiro do prédio. O desgraçado que estava na cama com ela naquela noite fatídica.
Olhos negros como a noiteMinha passageira era uma mulher bela. Mesmo com visual discreto, usando um tailleur sóbrio, era impossível não notar o corpo bem desenhado que trazia sob a aparência executiva. Logo que embarcou, inundou o táxi com um perfume suave, certamente caro como a roupa que vestia.Já era tarde, a noite avançava morna e abafada. Eu trabalhava além da conta. Como aquela corrida me levaria rumo ao meu bairro, aproveitaria a oportunidade para encerrar a jornada. Minha passageira também parecia cansada. Os cílios longos pendiam sobre seus olhos negros. Dois trabalhadores em busca do fim do dia.Tudo aconteceu muito rápido. Um ou dois minutos. Para mim e minha passageira, no entanto, foi como se tivesse durado uma eternidade.Eu havia parado o táxi. A mulher procurava na bolsa o dinheiro para pagar a corrida. Subitamente fomos surpreendidos pelo som de uma freada forte. De dentro de um carro, que parou atravessado em frente ao meu táxi, saltaram dois homens correndo.Um deles ficou apontando uma arma em minha direção, exigindo que eu lhe passasse o dinheiro. O outro abriu a porta traseira e puxou a passageira para fora. Depois de lhe tirar a bolsa, o homem passou a revistá-la em busca de mais alguma coisa.Foi quando a situação, que já parecia terrível, começou a ganhar contornos trágicos: não contente com o que havia pegado da mulher, o bandido passou a apalpar-lhe o corpo, insinuando que gostaria de levá-la consigo.Um terceiro assaltante, que ficara ao volante do carro, começou a acelerar e gritar para seus comparsas. O homem que apontava a arma para mim correu para o carro gritando para que seu companheiro fizesse o mesmo. Por fim, os três partiram sem levar a mulher.Depois do choque de violência, ficou o silêncio. A perplexidade. Os olhos da mulher me pareceram ainda mais cansados, mais negros que aquela noite abafada.
Mais uma prova que a internet une as pessoas e possibilita que o internauta veja a vida por outros olhos. Quer ler mais textos?
http
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Achámos interessante apresentar, como amostra, o texto acima reproduzido de um blogue brasileiro como proposta /sugestão, dedicada à nossa classe portuguesa de profissionais de táxi.
Se alguém da actividade tivesse a iniciativa de criar um blog sobre o que contam e ouvem nos seus veículos durante as corridas pelo asfalto, decerto iriam muito rapidamente suscitar muita empatia com o público em geral !
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A cada passo em cada corrida, encontramos nos motoristas profissionais de táxi 'estórias' dramáticas umas, felizes outras e, muitas ideias críticas sobre a sociedade em geral e, até bons
pensadores sobre política e a economia!
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"Public relations" do asfalto, alguém deveria sugerir-lhes que reduzissem a escrito toda a riqueza de conhecimento que tantos possuem, o que seria uma mais valia a acrescentar às boas conversas nos Cafés, que também ficam perdidas, nos exaustores de cheiros ou queimadas nos electrocutadores de insectos.
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Para finalizar, passamos o testemunho da riqueza humana que se pode descobrir nestes contactos, convidando os nossos amigos/as cibernautas a visitarem um dos mais prestigiados blogues nacionais de Cultura Geral : http://diasquevoam.blogspot.com/ e procurarem um dos mais recentes posts intitulado: « Uma indizível tristeza »!
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É a descrição sucinta do drama de um taxista que filosoficamente vai desabafando e partilhando os seus encontros e desencontros com a madrasta da Vida! (...)
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Este homem, se me tivesse contado aquela sua história, ficaria para mim como um dos muitos que utilizo como «etiqueta» pessoal:
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Meu 'tipo'.... inesquecível !(...)

9 comentários:

Anónimo disse...

É ela mesmo a Camila que aqui está como a foragida. Ainda bem. Pelo menos encontrámo-la em bom lugar rsss. Nestor

Luisa Moreira disse...

César,

Deve haver histórias para todos os gostos, todos os condutores de transportes as devem ter, pena é não as divulgarem.

Abraço

Luisa

T disse...

Caro César: Belo blog o que encontrou. Colecciono histórias de taxistas porque sou faladora e ando muito de táxi. Não sei se o Dias é tudo aquilo que disse, mas pelo menos deseja ser um espaço lúdico e de prazer.
Abraço amigo

César Ramos disse...

NESTOR!

Ainda bem que chamei
um Táxi!

Até logo,
nas vozes...

César

César Ramos disse...

Luísa,

É injusto falar-se de condutores de transportes, e
não referir os camionistas
de longo curso!
Peregrinos dos 'desertos' de
alcatrão!...
Teriam 'alguém'
em cada oásis!... e,
histórias para
lembrarem!...
(...) Marinheiros
do asfalto!

Luisa Moreira disse...

Tem toda a razão, César.

Que me perdoem todos aqueles que esqueci.

Abraço

Luisa

César Ramos disse...

« T » ,
... tive vontade de incluir o seu post!... mas, sem autorização, preferi remeter as pessoas interessadas para o Blog dos "Dias que voam"... que é, muito mais do que aquilo que eu disse!

Sabia que ia gostar do "tema", pois tenho memória de elefante!

Também quis homenagear o 'seu' Motorista de táxi,... Anónimo!

Estes, são dos «Anónimos»
que nos merecem
todo o
respeito!

Abraço

Maga disse...

Caro César
Peço perdão de irromper pelo seu blog adentro, sem autorização nem convite, mas a "fada" Luisa não tem de servir de correio, já lhe basta ser fada...
Pergunta-me se lembro Mucelão ou Mucela... Mucela não, é a Ponte de Mucela, paragem obrigatória da "Carreira" que nos trazia de Coimbra. Mucelão é uma aldeia, também perto, onde existia a curandeira de Mucelão, que curava tudo e todos...
Quanto a Vale de Moinho, meu Deus, não conhecia eu outra coisa. Era a aldeia onde morava a minha tia Julia, não podia deixar de andar sempre cá e lá, entre a Cortiça e Vale de Moinho. O nome que aponta, Zeca Relojoeiro, diz-me algo, não sei bem o quê. Quanto aos Frias, aos Cunhas, aos Portugal, conheci muitos. Quando se refere a Portela é a Portela do Carvalho? é uma outra aldeia, perto de Vale de Moinho e de Fronhas e da Sanguinheda (aldeia onde se faziam os caçoilos, tachos de barro preto, muito apreciados e que toda a gente de então usava - o fogo da lenha não os enfarruscava, farruscos já eles eram - ah! e os naturais da Sanguinheda eram os caçoilos... por causa dos ditos tachos)
Bem, amigo César, estou farta de escrever, daqui a pouco o seu blog grita comigo e ainda manda algum táxi atropelar-me, é a maneira de me calar.
Um abraço da
Maga
(que são as iniciais do meu nome de solteira)

T disse...

Pode incluír o que quiser no seu Alfobre:)

o resto é generosidade sua.