[ Vox populi vox Dei ]

2009-10-05

A REPÚBLICA: REGIME NACIONAL




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. Celebramos neste dia 5 de Outubro, os 99 anos de idade da implantação da República Portuguesa. Lá a temos em cima, na imagem em efígie , representada na expressão plástica clássica da libertação de preconceitos, a figura feminina que expõe a nudez como alto desígnio da Verdade!
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Tivemos um entusiasmo quase sobrenatural na celebração desta efeméride, neste ano de 2009!
Sobrenatural e sobre-humano, considerando as dificuldades históricas que o mundo vive e pensando como esta pequena grande república, tem resistido às afrontas do estrangeiro, invejoso e complexado.
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Em nada estamos desesperados, talvez e apenas um pouco envergonhados pela ausência de uma presidência digna e à altura do nosso querido Portugal!
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Esperar-se-ia, de preferência, esta celebração do aniversário do nosso regime nacional republicano sem qualquer chefia, por resignação ao cargo; tal seria, sinal de dignidade ou autocrítica que, bem assentaria no perfil de um homem que se dirige à Nação, com a postura 'habitué' da pessoa que, nunca se engana... e raramente tem dúvidas!
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Habituámo-nos a este tipo de 'slogan', como aquele do nunca ler jornais; mas, estranhámos a recente postura de Mestre Escola à antiga, que só dava palmatoadas e pouco ensinava, muito embora admitindo várias vezes, não as contámos mas havemos de contar, a quantidade de dúvidas que assumiu, durante a descompostura que veio dar, não se sabe bem,... a quem!
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A Imprensa realiza que 99.9 % da população não ficou vencida nem convencida de coisa alguma!
Como os media não terão de ser a opinião soberana do Povo, não encontrámos porém, quem quer que fosse que, estivesse disposto a fazer o favor de dizer que sim,... que entendeu...! Provavelmente - mas não temos acesso -, nas hostes do PPD/PSD deverá haver quem ajude à interpretação de tão hermético sermão!
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E é assim que a nossa República celebra quase um século de existência! Mas, nem sempre as coisas estiveram de boa feição! Habituámo-nos desde a juventude, a ver tentativas da celebração da instauração do novo Regime, à volta da estátua de uma figura histórica da República, um antigo Presidente de mão cheia, caudilho da causa republicana e que, depois de ter sido Ministro do Interior foi eleito Chefe do Estado: o Dr. António José D' Almeida.
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Tem uma das principais estátuas representativas da República, exposta num dos melhores e mais representativos espaços da cidade de Lisboa. É num largo, que tem o mesmo nome do grande político, ali representado.
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A iniciativa da construção da estátua partiu da união de esforços de republicanos democratas que, conseguiram levar a bom porto o intento de erguer em pedra e mostrar à posteridade, um dos maiores obreiros da República Portuguesa.
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Curiosamente, a inauguração do Monumento foi efectuada pelo Chefe de Estado de então, um dos
principais autores do golpe militar que derrubou a primeira república: o General Óscar Carmona! Com pompa e circunstância, a 31 de Janeiro de 1932 , deu a ver ao mundo a digna figura que tinha derrotado ideologicamente. (...) Que significado a tirar? (...)
Há muitos!... mas é uma história para contar noutra ocasião!
Não eram assim, tão diferentes! ... tinham muito em comum! ...
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Aquele dia de inauguração aparentou, até prova em contrário, e ainda pouco ou nada foi dito, um quadro confrangedor que, a despeito dos seus promotores se celebrava a abjuração política dos puros princípios republicanos, perante uma ditadura brutal que se proclamava república, para a difamar, e envilecer com ofensivas reacionárias!
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Bernardino Machado, então exilado em Biarritz, a 4 de Fevereiro (um mês depois da inauguração), expressava em manifesto, a sua indignação dizendo que, a primeira pedra do carinhoso monumento ao grande apóstolo da República, fora manchada pelas mãos tintas de sangue do maior responsável das torturas e mortes infligidas nos presídios, no exílio e no degredo. Referia-se claramente a Óscar Carmona!
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E,... contestava a legitimidade dos direitos e da honra da Nação naquelas solenidades usurpadoras do puro republicanismo prostituído!
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Afirmava,... e o eco chegou até aos dias de hoje, para quem quiser ouvir a História:
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- «Sob o sinistro signo deste enlutado transe da nossa vida pública, não pode haver solenidades republicanas oficiais. Só a revolução reivindicadora dos direitos e da honra, consagrará à memória querida do estrénuo revolucionário a estela funeral condigna da saudade popular.»
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A importância que as coisas tinham então..., e a preocupação da Honra, da Palavra, da Atitude!
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Hoje,... limitamo-nos a «esmiuçar»,... a rir (...)
e..., ficamos (...)
Muito contentes!
A mim... não me apetece rir coisa nenhuma!
até porque..., neste dia,... há 4 décadas...
Morreu o meu Pai,... era um republicano!
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Legenda:
1 - República; quadro de Roque Gameiro, homenagem aos lutadores/as, pela causa republicana.
2 - Presidente da I República - Dr. António José d'Almeida; antepenúltimo Presidente, foi o
primeiro a cumprir o mandato até ao fim; foi o fundador da G.N.R.
3 - Estátua em homenagem a António José d'Almeida e à República de Portugal; da autoria do
escultor Leopoldo de Almeida; localizada em Lisboa, na Av. António José d' Almeida.
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N.B. : Note-se, aos pés da efígie da República e ao lado do caudilho republicano (António J. D'Almeida) a presença da insigne Ana de Castro Osório.



3 comentários:

Luisa Moreira disse...

Como é bom ler coisas assim bem escritas! que nos ensinam ou relembram a História da nossa República.
Foi com um gesto digno, que hoemenageou o seu pai.
Obrigada! César

Abraço

Luisa

José disse...

Cesar
Voltei aos bancos da escola, para aprender o português que nunca a prendi.E lendo os seus posts tenho a certeza que vou melhorar bastante.
É raro acontecer comigo, concordodar com tudo o que as pessoas dizem,
mas consigo não tenho como discordar.

um grande abraço

agora vou fazer um momento de silêncio em homenagem ao seu pai e a todos os que morreram por este dia

Luisa Moreira disse...

Jose,
Só um poeta poderia escrever, o que escreveu.