[ Vox populi vox Dei ]

2009-10-05

A REPÚBLICA - FOTOS INÉDITAS







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Legenda:
1 - Foto do Dr. António José d'Almeida, no terraço da sua casa em Lisboa, sita na Rua de S. Gens, nº 1.
2 - A estátua, obra do escultor Leopoldo de Almeida, aprovada pela comissão promotora da homenagem ao falecido Chefe do Estado. A gravura mostra o autor da estátua rodeado pelos membros da comissão promotora do monumento.
3 - Cerimónia da inauguração do monumento com mostra do povo, dignitários civis, militares em parada, e o Presidente Óscar Fragoso Carmona segurando ferramentas de pedreiro na execução do ritual do 'lançamento' da primeira pedra.
4 - Perpetuado em estatuária, ainda no atelier, exterioriza o semblante determinado do Homem e a Obra a que dedicou toda a sua vida.
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.ANTÓNIO JOSÉ D'ALMEIDA foi uma das figuras mais populares da República. Nasceu em Vale da Pinha, Penacova, em 1866 e faleceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1929.
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Desde os tempos de estudante de Medicina que defendeu ideias republicanas, publicando no jornal da Academia um extenso e crítico artigo - «Bragança, o último», que o levou à prisão durante vários meses. Até 1904 e após ter concluído o curso, partiu para S.Tomé, onde exerceu a sua profissão.
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Mais uma vez ali revelou as suas raras qualidades humanas. As pessoas abastadas que com ele tinham privado em S. Tomé afirmavam todavia o seu desinteresse, a recusa de pagas avultadas além dos seus honorários; a história de um certo cheque enviado principescamente por um rico proprietário ao cabo de uma doença de que ele o salvara, e que não aceitara achando demasiada a quantia!
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Os pobres, que dia a dia partiam para a África com um sonho a consumir-lhes os cérebros e voltam ressequidos pelas febres e pelas desilusões, achavam no fundo das suas almas palavras de inolvidável gratidão para o médico que não só os tratava longe da Pátria, mas ainda encontrava nos seus recursos, a maneira de os fazer reconduzir para a metrópole, quando a desventura e a doença chegavam a desvastar-lhes os sonhos e os corpos.
Dizia-se tudo isto, e também que, ao entrar de vez na luta política, arrastaria todos os sinceros consigo...
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Adivinhava-se nele um amigo do povo, confiante numa era de batalhas para onde iria de cabeça erguida, ao lado dos mais humildes!... sentia-se nas suas menores palavras uma fé inquebrantável, surgia com a bondade de um apóstolo e com a tenacidade de um crente, conquistava as simpatias de todos como se dele irradiasse toda a sinceridade do seu coração, toda a energia da sua vontade, toda a pertinácia do seu querer. Foi assim que ele entrou na popularidade e na alma popular, e foi assim também que ele se meteu em todas as conspirações para demolir o regime monárquico, sem um abalo de maior ao chegar-se à acção, como se sentiria fadado para todos os sacrifícios.
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De todos os lados lhe chegavam adesões de humildes; vinham das casernas donde os sargentos espontâneamente iam procurá-lo, mostravam-se nas ruas os pactos dos trabalhadores nos cumprimentos entusiásticos que lhe faziam, como a dizerem que podiam contar com eles e em todos os lares pobres dos bairros de operários, o seu retrato avultava entre os dos outros homens da democracia, também queridos e respeitados, como o de um ídolo familiar. Era toda a simpatia de um povo que se lhe oferecia e a que ele sabia corresponder, com as suas acções de convicto na sua fé segura, sendo um homem de outras eras no correntio mesquinho da altura, exaltado romântico que a alma do povo, sempre romanesca, requeria e perfilhava.
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Ao saberem-no preso, a cólera do povo refervia e saíam de todos os lábios imprecações, e os braços armavam-se em fúrias de revoltas audazes!
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A grande força do caudilho democrático, a quem coube um dos principais papéis na revolução, era a sua firme crença no ideal. Durante anos, como um apaixonado, viveu numa agitação permanente; deu-lhe todas as suas horas, entregou-lhe todas as suas ambições, fez dele um grande ídolo e ofertou-lhe com a sua liberdade, e a sua vida. A República era a razão da sua existência e se ela não tivesse triunfado, vê-lo-íamos da mesma forma teimosa, com a mesma persistência a combater, como um paladino dos tempos antigos pela virtude, pela beleza, pelos impecáveis dotes da sua dama, recusando por ela a tranquilidade de um lar, a abastança, o sossego, todas as coisas que aos homens apetecem ao cabo de uma vida de labutas.
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Após a proclamação da República foi nomeado ministro do Interior do primeiro Governo Provisório, tendo reformulado a Guarda Real e criado a Guarda Nacional Republicana. Mais tarde, devido a diversos desentendimentos, funda o Partido Republicano Evolucionista e cria o jornal que lhe dá voz,... do qual é Director - «A República»!
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A 6 de Agosto de 1919, é eleito Presidente da República,... cumprindo o mandato até ao fim (o que não aconteceu com os antecessores).
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Publicou os seus discursos - «40 Anos da Vida Literária e Política».
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O Monumento inaugurado em 1937 associa a figura do orador, à figura da República, que sobressai, por trás dele.
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Junto àquela obra de escultura monumental, prestava-se homenagem aos heróis da revolução, constituíndo este local de culto, um ponto de concentração daqueles que lutavam [e lutam] pela Liberdade.
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Convidamos as pessoas de boa vontade e de sentimentos patrióticos, a reflectirem sobre o valor deste homem simples que empenhou em nome do bem comum, toda a comodidade da vida que desprezou!
Pedimos às pessoas que se aconchegam nos sofás, para não ficarem 'intelectualizadas' na conversa trabalhada e oca da resignação fatalista de que a política acabou, lá porque os seus interesses materiais e pessoais, não estão sendo contemplados!... têm de ter perspectiva nacional e não, vista privada para os umbigos,... comodistas e egoístas ! (...)
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Não são apenas os políticos que têm a obrigação de apresentarem uma atitude positiva e uma boa imagem (...) os cidadãos e as cidadãs também têm responsabilidades no exercício da vida política !(...) é preciso que não façam como a preguiça que, ... dizem...,
morreu de sede...
à beira da água.




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