[ Vox populi vox Dei ]

2009-09-14

ENSARILHAR (...) ARMA!...

O título do post é uma expressão militar que faz parte do manejo de arma (ordem unida), e consiste em colocar as armas no chão, em descanso, aos grupos, prendendo umas nas outras num dispositivo na parte superior.

A supracitada expressão é dada com ríspida voz de comando e, depois de executada a ordem, resta uma paisagem estranha constituída por alinhadas 'sebes' de armamento que fica em repouso, como se de uma plantação de espingardas se tratasse!
Àquela voz 'mandona', o cumprimento da ordem também pode significar o acabar uma guerra, sucedendo-se, eventual rendição e, o armamento assim 'plantado', ficará às ordens da tropa vencedora.
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Porquê o repetir a exibição desta imagem neste post?... é que 'falta' algo no texto dos «DOZE ANOS DEPOIS», após as considerações prestadas nos comentários recebidos : "...desenho que deixou boa impressão pelas cores,... o traço,... o conteúdo da 'legenda' considerada sensível e explícita..."
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Concebido durante o segundo grande conflito beligerante mundial, doze anos depois do seu fim, a imaginação dos meus verdes anos conduziu-me à expressão plástica do desenho que pela segunda vez aqui exponho, e faço-o porque preciso de estar a olhar para ele ao fazer esta retrospectiva:
- pelas rotas marítimas de Vasco da Gama até à India, os irmãos mais velhos dos meus amigos e colegas, passaram a navegar de kaki (farda amarelo areia), em contingentes militares com destino à guerra declarada em Goa, Damão e Diu.
Mais uma desgraça armada desabava sobre o melhor capital que um país tem, que é a sua juventude ! Veio a vitória dos outros contendedores ... veio o ajuste de contas do Governo que não admitiu que alguém sobrevivesse... veio o tempo que se seguiu... com rumores de mais e mais conflitos... em África... que acabou por chegar a mim... aos outros... e a todos!... fomos enviados ao encontro de mais lutas... combates sangrentos... com os cérebros militarizados e imbuídos de valores que o futuro de agora, com todos os argumentos que apresentam em nome da evolução da história do mundo, não conseguem inverter o sentido!... respeita-se,... mas não se pode esquecer que, afinal, as gerações dos mais velhos insistem em criar guerras e justificá-las sempre!... em nome dos seus interesses... sempre dos seus interesses... por patriotismo... por solidariedade... por lérias que têm morto e destruído a Juventude de todas as gerações!
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É por isso que eu digo no post dos «DOZE ANOS DEPOIS»: "(...) É a guerra do meu baptismo, a guerra da minha juventude, a guerra de todos os tempos, ... eternamente ... sem tréguas (...)! "
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É por isso que o traço do desenho é forte: compensa a cor,... bonita e marcante mas deslavada, porque é a cor do sangue da juventude!... anémico de tanto correr sempre... em todas as guerras... em nome de tudo e,... afinal de contas... por mor de nada!
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Nunca dei nome àquele esquisso militarista!... será militarista?... é o meu Soldado Desconhecido. E vai continuar a sê-lo: desconhecido!... é um militar internacional... efígie da estupidez humana que não pára de andar aos tiros (...) em nome de valores equivalentes a zero!
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Hoje,... olhando para ele [desenho], habilitei-me a um "ensaio"!... não lhe vou dar nome, obviamente! Vai apenas ter uma missão... que deve ser a que está a cumprir naquele papel reflexo de tristeza,... drama e diabolização!
Ele hoje... vai ser,
"A SENTINELA"!
Mais, (...)
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« A RONDA da MANHÃ »
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Vai a noite no fim. Luz d' Alva nos afaga.
Além, no bosque denso, envolto em nevoeiro
Um very light surge - facho derradeiro
Na derradeira sombra que a manhã apaga.
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Luz d' Alva! Luz divina! A vista se embriaga
No doce resplendor do teu alvor primeiro.
Sobre a linha inimiga, célere, ligeiro,
Anda um melro assobiando uma tristeza vaga.
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Vou passando, a sonhar, a ronda habitual,
Sofrendo a nostalgia ardente que me invade;
Uma sentinela fita-me e,... brutal,
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Na esplêndida eclosão da sua mocidade,
Pergunta: - Quem vem lá? a senha? - Portugal!
E o nosso olhar sorri, brilhando de saudade.
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Acabou a ronda... terminou o post mas,... atenção caríssimos cibernautas:
A GUERRA,... continua!...
e a SENTINELA
lá!... no seu posto de vigia...
sempre com senhas diferentes,
mas o mesmo
Destino!

3 comentários:

José disse...

Cesar,
Eu vou comentar porque ensarilhar armas sou eu quase mestre embora não tenha ido ao treinos ultimamento.

E quanto ao Soneto está maravilha,
isto sim é poesia lá no meu canto
não é mais que brincadeiras,

abraço

Luisa Moreira disse...

Sensibilidade!
Continue a surpreender-me...

Abraço

relogio.de.corda disse...

Gostei do seu traço. É expressivo o seu desenho e acho que devia continuar, porque mostra ter queda...