[ Vox populi vox Dei ]

2009-07-28

A Q U I L A

[JULIUS PHAEDRUS]


Fabulista latino, grego de nascimento, viveu no primeiro século da nossa era. Passou a juventude em Roma e aí recebeu educação esmerada; o Latim tornou-se-lhe tão familiar como o Grego, sua língua materna.
Emancipado por Augusto, dele fala com reconhecimento, e não é sem razão, pois foi em casa deste príncipe, amigo das letras e das artes, que bebeu a pureza da linguagem e a distinção que se admira na sua obra.
Morre o benfeitor e Fedro é perseguido pelo orgulhoso e vingativo Sejano e é então que ele conhece as angústias e desgraças da vida.
Depois da queda de Sejano, consegue, devido às suas relações com figuras de destaque, um pouco de atenção da parte do Imperador, mas sente que a sua situação é mais de tolerado que de protegido, e leva uma vida modesta e retirada.
Escreveu cinco livros de fábulas: preocupa-o mais a moral a tirar do que a narrativa...
e, é por isso, que o 'argumento' parece destituído de interesse.
A linguagem, sem artifícios literários, é clássica reveladora de espírito arguto, observador, muito embora melancólica.

«PASSER et LEPUS»

Sibi non cavere et aliis consilium dare
Stultum esse paucis ostendamus versibus.
Oppressum ab Aquila, fletus edentem graves,
Leporem objurgabat Passer. «Ubi pernicitas
Nota, inquit, illa est? Quid ita cessarunt pedes?»
Dum loquitur, ipsum Accipiter necopinum rapit
Questuque vano clamitantem interficit.
Lepus semianimus: «Mortis en solatium!
Qui modo securus nostra irridebas mala,
Simili querela fata deploras tua.»

Moral da fábula: "Não insultes os infelizes"

Resumidamente, esta foi a estória de uma lebre e de um pardal que se davam muito bem na vida, mas quando um caíu em desgraça,... o outro riu-se da sua desdita !...

Histórias do tempo em que os animais falavam e deixaram exemplos de procedimentos a seguir,... ou não!... e bem parece que não (...)

A erosão dos tempos 'limou' tanto a Língua com que estes 'factos' eram narrados, como os 'princípios' que se pretenderam deixar como herança para a posteridade [passaram atestados de óbito a ambos].

Hoje, as "fábulas" são outras,... e tanto o Latim quanto a Moral, são 'peças' de Museu de Paleontologia.

Vivemos a era dos "donos" da verdade e a da' surdez' aos ecos dos egrégios avós, pois tudo é 'fast food',... no sentido literal e metafórico da expressão; talvez por estar contaminada pela pandemia das pressas, do provisório com carácter de definitivo e do salve-se quem puder e, o último a sair que deite fora a mais recente 'novidade' pois, ao final da tarde, já será descartável (...)

A pressa com que a 'Sociedade' "deitou" fora o Papa João Paulo II,... segundo eles,... agonizante! estava a mais!... era preciso fechar o olho, e depressa!... pois a Imprensa ansiava pela boa nova, vêr de novo o fumo branco nas 'lareiras' do Vaticano e ouvir cantar as rotativas dos jornais...

A pressa com que se marchou [ precipitação] para o Iraque! ... talvez em vez de marchou, será melhor dizer que se "nadou"...

Sem esperar pela O.N.U., ou o que quer que fosse, lá 'fizeram a folha' ao assunto, e 'prantaram-se' Esquadras de Marinha frente ao teatro de horrores que se mantém em sucessivas 'reprises' de Guerra interminável! Não quero discutir essa Guerra!... só quero lamentar o que ouvi da boca de pessoas ditas conscienciosas e que andam para aí a votar em actos eleitorais: armas mortíferas...

Diziam: "então, agora que as esquadras já lá estão, do que é que estarão à espera para partir aquilo tudo?..."

Parece que há poucos filmes de ficção cheios de guerra até à porta dos cinemas para arranjar bilhetes!... todos se salpicaram numa querela injusta, na medida em que se fundamentaram numa das maiores mentiras conhecidas desde o Século passado para pôr um país a ferro e fogo!... mais uma vez!... portanto.

Aquilo era p/solução política e diplomática, e a da água mole em pedra dura.... nunca a agressão militar de extermínio que se tem vindo a assistir em 'Cinemascope' e 'Tecnicolor',... ao bom gosto dos cinéfilos amantes de filmes de acção...

Descartar meios, pessoas e ideias, é uma longa lista de 'Schindler' que o radicalismo desumano
não cansa de acrescentar 'items', com julgamentos sumários ! (...)

É a Fábula do "Passer et Lupus" [Pardal e a Lebre] ...

Sempre que algo, ou alguém passa por uma dificuldade, o 'PESSOAL' ri-se, e quer
sangue!... muito sangue!... e cabeças a rolar... os 'saudosistas' dos peloirinhos (...)

Esquece, é o suor e as lágrimas que isso lhe poderá custar...

E está a custar,... e ainda vai custar mais... até reaprender o que antigamente
se pensava que as pessoas tinham:

A Sabedoria Popular (...)









1 comentário:

César Ramos disse...

Para que este 'ininteligível' texto
não fique miseravelmente reduzido a
comentário zero:

- Caio Júlio Fedro foi fabulista latino - Macedónia, 15 AC - 50 DC -
liberto de Augusto.

Imitando ESOPO, escreveu fábulas, em versos latinos, que são sátiras mordazes contra os homens e os abusos do seu tempo.

Pensava ele que era só do seu tempo!... mal adivinhava que o 'futuro' iria cristalizar os tais abusos...

O Latim passou a língua morta e por
isso, como é hábito fazer aos mortos, há que esquecer, e por vezes, desdenhar!... já nem Advogados conhecem tal... quando, o Direito português está enraízado no Direito Latino [e no do Alemão].

Curiosamente até os padres (católicos) borrifaram-se para a 'falecida' língua, tendo
acabado a língua 'ritual' que 'universalizava' o Catolicismo.

Peguem num livro sério sobre Botânica, ou outras Ciências e ver-se-á que, o que lá vem...é Chinês, isto é: é Latim!