[ Vox populi vox Dei ]

2009-04-23

RITUAL DE CAPA E ESPADA

[Que nem tudo seja à 'ponta da espada']

Espada para um herói:
Espada do fogo das madrugadas.
Dos ofícios em que a noite se dessedenta
E brilha,
Se entrega e tange.

É essa a espada para o sangue,
E a que se alimenta da elegia
Que um Povo pode dar a si mesmo.

Esse fogo, lancinante e frio.
De música e sombra aonde o branco
Se encontre e a força se dê ao Homem
Como, por milagre, o milagre em que renasça.

Espada aonde os seus cantos domem
O vigor que há-de, na taça, encher do vinho,
Que dê a sede, a alegria e o cântico.

Desentranha da inteligência a Raça
Que se forma na alma. E, errando,
E, entendendo-se, na voz dos tempos,
Teça da crença inúmera, para ser funda,
A razão última dos Templos.

Em si mesmo, profana e sagrada,
Dormirá, quanto se há-de acordar
E, heróica e límpida, se erga,
Dádiva para cada mão e cada aventura
Se consagrar. A espada que sonha e se futura,
A que pode cantar o Herói anónimo
E lhe entregue a plenitude da Profecia...

Para todos e para ninguém,
A espada aonde o tempo para além
Contempla no passado o futuro que nasce...

Espada que se detem e aspira
A ser aquela rosa e aquela sua lira,
Guardadora atenta do que não passe.

Espada que deseja e aspira
Ser num longo claustro um silêncio eloquente
E, sacralizada e faminta, conter-se pedra d'ara,
E a Luz se lhe dê, límpida, decantada e clara.

A espada da redenção e da profecia,
Que seja a sua Raça, religiosamente,
Ébria de canto e harmonia.


[Paz... profunda]«F.R.C»

1 comentário:

Anónimo disse...

Salvé!

Gostei bastante.

Acho que o sr. é bastante mais do que parece!

Obrigado pelo poema